Reflexões da Redação
26 DE maio DE 2018 - 12:26

Voltamos a andar para trás

Reflexão dos editores deste portal

Até dois ou três meses atrás o país tinha certeza de que as coisas tinham entrado nos eixos e que o PIB iria crescer algo em torno de 3% neste ano. Era voz corrente no mercado que a atividade, tanto da indústria como do comércio e dos serviços, estava em franca recuperação.

A aposta dos diversos segmentos era de que, com a melhoria dos índices de inflação e dos juros desembocaria, inevitavelmente, no retorno – ou ao menos a estabilidade – dos investimentos e nos níveis de emprego.

Entretanto os últimos dados oficiais acenderam as luzes da preocupação, pois começaram a retratar um cenário de reversão das expectativas deste início de ano, chamando a atenção para o fato de que o país já não estava conseguindo reverter a crise em que se meteu.

Exemplo disso foi o recente anúncio do governo de que sua previsão de crescimento econômico reduziu para 2,5%, usando como justificativa os últimos levantamentos de mercado que apontavam para uma recuperação mais lenta da atividade.

E isso acabou se comprovando pelos dados últimos apurados pela Fundação Getúlio Vargas, que indicam que o índice de Confiança da Indústria registrou retração de 0,3 ponto percentual na prévia de maio em relação ao resultado fechado de abril. Aliás, conforme a própria FGV, esta foi a segunda queda consecutiva no índice.

Não bastassem estas questões já tradicionais, que chegaram a ser consideradas pontuais por alguns analistas, o país inteiro está, neste momento, sendo afetado pela paralisação dos caminhoneiros – que transportam mais de 60% do que se produz e importa -, o que, certamente, trará consequências irreparáveis a curto e médio prazos à nossa economia.

O bloqueio das estradas trouxe efeitos danosos para o país, causando um perigoso desabastecimento dos itens básicos à população, como produtos alimentícios, transporte, acesso à saúde e a remédios. Com a falta de combustíveis, as prateleiras começaram esvaziar, muitas escolas dispensaram alunos e professores, ambulâncias  e até mesmo viaturas policiais pararam.

O pouco de combustível que restou nas bombas teve o preço aviltado. Nas feiras, alguns produtos rarearam e sofreram majoração astronômica. Os aproveitadores tiraram as manguinhas de fora e elevaram os preços em até 300% – vide o caso da vilã batata.

O bloqueio das rodovias trouxe prejuízo também à operação das indústrias, pois a falta de insumos pode até provocar o aumento nos custos de produção. Para evitar um problema maior, fábricas já estão anunciando férias coletivas aos trabalhadores.

Ou seja, o país parou e o caos é iminente, fruto de um governo fraco, sem respaldo da população e do Congresso Nacional, cujos parlamentares, fracos também, continuam afastados de seu papel – único e exclusivo – de trabalhar pelo país e por seus cidadãos.

Ao que se sabe, esta paralisação já estava anunciada há muito tempo e os governantes e políticos – enfurnados em Brasília – empurraram com a barriga mais esta grave questão que acabou dando no que deu: efeitos danosos sobre a economia e uma população penalizada mais uma vez.

Agora, depois que o balde entornou, os dirigentes de plantão saem correndo, tomando providências de afogadilho que não se sabe no que vão resultar. Dizem ter aberto diálogo com os caminhoneiros, porém somente o fizeram quando o movimento já estava instalado, o que tem sido uma prática desse governo.

Voltando à nossa crise, em nossa visão de leigos, 2018 será mais um ano para ser esquecido. Do jeito que as coisas estão caminhando – greve dos transportadores, copa do mundo, festas juninas e eleições -, o país permanecerá paralisado e não terá o crescimento esperado e necessário.

Ou seja, voltamos a andar para trás!

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