Análise Econômica, Política & Social
3 DE setembro DE 2018 - 18:41

Tragédia no Museu Nacional pede uma política de conservação do país, sem esquecer o desenvolvimento

O presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, lamentou a “a destruição de um grande arcabouço da cultura nacional” no incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, e fez um alerta sobre a necessidade de o País perseguir a agenda de desenvolvimento sem abrir mão de conservar seus recursos sociais, econômicos, ambientais e culturais.

“Somos um país dividido e pobre, e isso, somado à escassez de recursos, é uma combinação explosiva. Há o risco de que o tema conservação caia da lista em função de outras prioridades. E as consequências se darão não amanhã, mas no decorrer dos próximos anos”, afirmou Sérgio Rial, durante a abertura do seminário A Amazônia tem pressa – experiências empreendedoras.

O executivo destacou que ainda sente a ausência, no debate eleitoral, de uma discussão pautada em mecanismos e instrumentos voltados à melhoria da gestão. “Não faltam pessoas extraordinárias no setor público. Falta a chama de uma liderança que seja capaz de congregar todos em direção a um objetivo”, declarou o presidente do Santander Brasil. “Não há quem não aponte o que precisa mudar; o que falta é quem mude”, disse.

Sérgio Rial divide com o vice-presidente da TNC para a América Latina, Juan Pablo del Valle, a liderança do LACC (Latin America Conservation Council), conselho que reúne lideranças empresariais e ambientais para discutir maneiras de promover o desenvolvimento econômico com conservação. Ele se comprometeu a intensificar a atuação da entidade como agente de transformação e prosperidade.

“Tudo pode ser resolvido como em uma empresa, com gestão, com um grupo de líderes capaz de trazer ao Brasil uma agenda. Nunca será uma unanimidade, mas pode ser uma agenda de consenso, que é nos tornarmos um país mais rico, socialmente, culturalmente e ambientalmente e, para isso, sabemos o que tem de ser feito. Temos que buscar a união, e não aprofundar a divisão.”

Rial acrescentou que a demanda por terra no Brasil, “seja pela sua grande qualidade, pelo potencial que o Brasil já demonstrou em sua grande plataforma agrícola, é absolutamente uma questão social, não é ideológica”, que deve ser resolvida com planejamento e gestão. “Todos queremos ser cidadãos produtivos”, concluiu, ressaltando que o fato de 57 ambientalistas terem sido assassinados no Brasil em 2017 “é uma grande perda para o país, e o sinal de outro como o ocorrido no Museu Nacional”.

Para evitar que o País sofra mais perdas, seja de suas riquezas naturais ou de seu patrimônio cultural, Sérgio Rial defende maior participação dos cidadãos. “Cada um de nós, brasileiros, precisamos começar um movimento para participar não só como críticos. Já sabemos onde estão nossas universidades federais, mas não podemos doar para as instituições. Há uma rigidez de arcabouços legais que não tem sentido para o País. E não é só levantar bandeirinha, é botar a mão no bolso. É doar tempo, comprometimento, dedicação”, conclamou.

Foto da primeira página: Folhapress /Eduardo Knapp

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