Análise Econômica, Política & Social
3 DE agosto DE 2018 - 13:48

Tensão comercial entre EUA e China é um risco

Um eventual aumento tarifário gerado pelo acirramento da tensão comercial entre os EUA e a China é um risco já considerado no negócio da maioria das empresas em operação no Brasil, de acordo com pesquisa inédita da Câmara Americana de Comércio no Brasil. A Amcham Brasil entrevistou, em agosto, 130 dirigentes de empresas brasileiras e multinacionais que atuam no mercado nacional que possuem negócios globais ou não.

Para 66% desses executivos consultados, a tensão comercial entre as duas superpotências deve caminhar de fato para uma guerra comercial, levando 53% deles a incluir esse impacto como um risco de negócio de média proporção em suas análises internas, enquanto 13% o avalia como efeito negativo mais profundo no seu negócio.

“A percepção dos empresários brasileiros seguem em linha com os dados da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento que estima que, em caso de guerra comercial entre a China e EUA, as tarifas aplicadas às exportações brasileiras poderiam subir de 5% para 32%”, comenta Deborah Vieitas, CEO da Amcham da Brasil.

“No cenário de guerra comercial, entre duas superpotências, não há vitoriosos, embora alguns setores brasileiros possam ganhar no curto prazo, especialmente no setor de commodities”, complementa Vieitas, que comanda a maior Câmara Americana, entre 114 existentes fora dos EUA. No Brasil, são 5 mil empresas associadas, sendo 85% delas brasileiras.

Para os entrevistados pela Amcham, as perspectivas de médio prazo são de que os países mais atingidos pelo aumento de tarifas dos EUA buscarão outros mercados para suas exportações. Para 42%, esse movimento prejudicará especialmente nações emergentes e setores no Brasil, como agricultura e processamento de alimentos. O segundo cenário mais votado pelos participantes, com 33% de respostas, foi a deterioração geral do cenário macroeconômico no Brasil.

Prioridades do novo governo

De acordo com 53%, o cenário internacional traz um desafio adicional para o governo a ser eleito em outubro – a necessidade de dar maior prioridade ao comércio exterior como plataforma de transformação econômica do País. Na lista de prioridades, do novo presidente eleito, devem entrar o diálogo bilateral com os seus principais parceiros comerciais, em especial, os EUA e China.

Outras ações prioritárias foram a simplificação e desburocratização das operações essenciais de comércio exterior (51%), identificação e eliminação de barreiras comerciais para o acesso aos mercados (20%) e políticas públicas para ampliar investimentos de empresas brasileiras no exterior (4%).

Países que deram prioridade ao comércio exterior tiveram crescimento expressivo nas últimas décadas. “Nos últimos 70 anos, todos os países que realmente conseguiram mudar de patamar econômico tiveram entre 40% e 50% do seu PIB como resultado da soma de exportações e importações”, contextualiza a CEO da Amcham.

Foi o caso de países como Japão, Alemanha, Coreia do Sul, Cingapura, Hong Kong, Chile e Espanha. No mesmo período de tempo, o Brasil cresceu bem menos. “Se retirarmos da nossa avaliação histórica os períodos da monocultura da exportação, é muito difícil encontrar momentos da economia brasileira em que tenhamos tido mais do que 25% do nosso PIB como resultante da soma de importações e exportações”, afirma.

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