Reflexões da Redação
27 DE fevereiro DE 2018 - 23:49

Temporada de golpes

Reflexão dos editores deste portal

A crise que ainda afeta o país traz na esteira um forte desvio ético e moral de uma pequena parcela da sociedade, que tenta levar a vida à custa da fragilidade das pessoas de bem. Não que seja novidade, mas nos últimos tempos tem crescido significativamente o número de golpes domésticos via telefone, internet, cartas e outras modalidades cada vez mais elaboradas.

Sem dúvida, o recente aumento tem a ver com malandros e oportunistas, escondidos numa voz ou num conjunto de letras, que atua livremente, sem qualquer punição mais efetiva, aproveitando da boa fé e da ingenuidade das pessoas, especialmente das mais idosas.

Um parêntese: não estão inclusos nesta reflexão os furtos de celulares, que encabeçam outra categoria de crimes rasteiros, nem mesmo os atos de corrupção institucionalizada que corroem o país e suas empresas estatais.

Na modalidade mais comum – talvez a mais longeva -, os desavisados recebem ligações que oferecem vantagens “imperdíveis” de produtos e serviços, nas quais muitos, pegos de surpresa, acabam embarcando na lábia de golpistas altamente preparados. Fazem parte desta modalidade as tentativas de presidiários, facilmente identificáveis pela má qualidade da ligação. Estes buscam “recompensa” por falsos sequestros e outros crimes.

Outro golpe é o do cartão de crédito clonado. Uma falsa central de segurança do cartão liga para a vítima e pergunta se ele fez despesas em determinada loja de determinada cidade (invariavelmente uma longe de onde mora a vítima). Diante da negativa, informam que vão cancelar o cartão temporariamente e, para isso, pedem a confirmação dos dados para emitirem um novo. Antes, porém, informam que um portador passará no endereço indicado para retirar verdadeiro para uma investigação completa pela empresa do cartão. É a pá de cal. Dados e cartão perdidos.

Há também as ligações (pelo menos um por dia) de conhecidas operadoras de telefonia e TV por assinatura propondo uma mudança vantajosa de plano. Neste caso, quem manifestar interesse tem que informar o nome completo, endereço, número de documento e outros dados mais. Fica a pergunta: quem está do outro da linha?

Neste contexto, recebemos nesta semana um e-mail de um grande portal – do qual somos assinantes – dizendo que não estava conseguindo debitar as mensalidades em nosso cartão de crédito, e que deveríamos atualizar os dados para evitar a interrupção do serviço (o botãozinho estava ali à espera de incautos). Este foi fácil identificar, pois o citado débito não é feito em cartão.

Entretanto, quando achávamos que já tínhamos vivenciado todas as tentativas de achaque, chega às nossas mãos um golpe envolvendo um órgão do judiciário brasileiro. Um familiar nosso, de idade avançada, recebeu uma carta timbrada do Fórum Ministro Jarbas Nobre – conhecido como Fórum Previdenciário de São Paulo, assinada por um dito diretor do setor de distribuição.

Tratava-se de uma Notificação Judicial informando que a potencial vítima tinha direito a resgatar uma determinada importância referente a um processo “existente”, de mais de 30 anos, referente a recolhimento de previdência privada que, em 2004, recebeu ordem de pagamento aos reclamantes, mas que, como de praxe, ainda se arrasta.

Na correspondência, o tal diretor dizia que o valor inicial foi atualizado pelos peritos do fórum até janeiro deste ano, e que para receber era necessário contatá-lo por telefone (à disposição na carta) para que ele desse o caminho das pedras. Aí vem o golpe! Contato feito, ele informou que era necessário indicar o nome e agência do banco em que a vítima tem conta e, lógico, o número da conta, para que ele enviasse uma ordem para recolhimento de mais de 5 mil reais (certamente direto para a conta dele). Se o pagamento fosse efetuado, ele liberaria ao próprio banco – e no mesmo dia – o valor corrigido, cerca de 80 mil reais. É óbvio que escapamos de mais este também.

Enquanto nada se faz contra esses bandidos, os cidadãos de bem vivem atônitos, como se estivessem esperando o próximo golpe. Dá até para imaginar os problemas vividos pelas empresas com essa insegurança.

Uma observação pertinente: sobre os crimes eletrônicos, Febraban e Polícia Federal acabam de assinar um acordo de cooperação técnica que permitirá compartilhar informações e as mais recentes tecnologias para garantir a segurança das transações financeiras eletrônicas pelos clientes no setor bancário. A conferir!

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