Reflexões da Redação
19 DE setembro DE 2019 - 22:58

Técnica a seco é solução sustentável para mineração

Reflexão dos editores deste portal

As investigações sobre o rompimento da barragem de mineração da Vale em Brumadinho/MG, ocorrido em 25 de janeiro deste ano, deverão ser concluídas nos próximos dias.

O colapso da estrutura liberou mais de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro em comunidades, mata e rios da região, ceifando a vida de mais 240 pessoas (atualizado para 250 neste dia 29 de setembro), grande parte de funcionários da própria mineradora.

Após seis meses de investigações, ficou claro que a mineradora sabia dos riscos de a estrutura se romper e, mesmo assim, deixou de adotar as medidas necessárias para evitar a tragédia. O processo responsabiliza a Vale e pede o indiciamento de 11 de seus dirigentes e funcionários, além de dois auditores da empresa TÜV SÜD.

Confrontada pela indignação pública após o rompimento de uma segunda barragem de mineração no Brasil em menos de quatro anos, a Vale deu declarações contraditórias sobre o que havia feito para encerrar suas estruturas mais arriscadas nos últimos anos.

Após o desastre de Brumadinho, a empresa disse que já havia descomissionado nove barragens a montante após o desastre de 2015, da Samarco, que envolveu o mesmo tipo de estrutura.

Mais recentemente, as atenções e o medo voltaram-se para a barragem de Barão de Cocais, o que nos fez retomar este assunto como um alerta para que o modelo de mineração no Brasil seja repensado.

Atualmente, o Brasil tem 430 barragens de minério, aponta a ANA – Agência Nacional de Águas. A barragem de Brumadinho – a de Mariana também – é do tipo ‘à montante’, feitas com os próprios rejeitos. Os detritos minerais, rochas e terras escavadas durante a mineração, descartadas por não terem valor comercial, são depositados em camadas num vale, formando a barragem. Esse tipo de ‘lixão de minério’ é mais barato para as empresas. Mas é, também, o que oferece mais riscos.

Para Alex Bastos, que é professor de Geologia da Universidade Federal do Espírito Santo, uma alternativa mais segura a esse tipo de barragem é a armazenagem a seco de rejeitos minerais. Mas a técnica é mais custosa. “O benefício é que os rejeitos não ficam confinados em barragens que podem romper. Mas o custo para secar os rejeitos e armazená-los em silos é muito mais alto”, diz.

Neste contexto, destacamos um alerta do diretor-presidente da Ourominas, Juarez Filho, para quem o modelo de mineração nacional precisa ser repensado. Ele defende que a sustentabilidade deveria ser prioridade no setor de mineração e que uma das alternativas é o beneficiamento a seco.

Segundo ele, a avaliação de que a técnica pode ser o futuro da mineração é, inclusive, um dos posicionamentos da Vale. “Desde 2016 a empresa já vinha adaptando sua forma de trabalho para diminuir a necessidade do uso de barragens. A ideia da Vale é que até 2025, cerca de 70% de todas as minas da empresa funcione com mineração a seco”, afirma.

Juarez Filho ressalta a importância da mineração para o país e defende que o setor precisa se reinventar. “A mineração a seco é a solução, não tem jeito. Ela fica um pouco mais cara no começo, mas depois ela começa a baratear e reduzir muito os custos, sem contar todos os benefícios ambientais”.

De acordo com o IBRAM – Instituto Brasileiro de Mineração-, o projeto já está em funcionamento no Pará desde 2017 e o objetivo da companhia Vale é que até 2022 o estado tenha 70% da mineração de ferro a partir da técnica a seco.

Obs: este texto é uma atualização da matéria publicada por este portal em 28 de maio, destacada no link http://industriatividade.com.br/mineracao-a-seco-e-alternativa-sustentavel/

NewsLetter

Cadastre-se e receba nossas notícias por e-mail.