Entidades em Ação
8 DE novembro DE 2018 - 18:01

Sprinklers são protagonistas para evitar tragédias

A ABSpk – Associação Brasileira de Sprinklers – reuniu, em Atibaia/SP, 180 profissionais atuantes no combate e prevenção a incêndios de diversos países para trocar experiências e conhecimentos com o objetivo comum de salvar vidas e patrimônios, concluindo que sistemas de sprinklers são protagonistas para evitar tragédias.

“Sistemas de sprinklers bem instalados, inspecionados e mantidos regularmente dificultam a manifestação de incêndios. Por isso, nosso intuito é conscientizar os profissionais do setor que esses procedimentos devem fazer parte de sua rotina de trabalho”, declara Felipe Melo, presidente da ABSpk.

“Nessa edição, ficamos muito satisfeitos com a grande procura pelos cursos técnicos. No total, treinamos o equivalente a 15% a mais de pessoal em relação à segunda edição do Congresso”, comenta Melo. Segundo ele, o aprofundamento nas normas relacionadas aos sprinklers é fundamental para garantir a instalação e manutenção de produtos confiáveis e de qualidade, que funcionem quando precisarem ser acionados.

Nos dois primeiros dias do Congresso 140 profissionais foram treinados nas normas NBR 17505 (proteção de depósitos de líquidos inflamáveis), NFPA 25 (inspeção, teste e manutenção de sistemas hidráulicos de proteção contra incêndios), NFPA 20 (bombas de incêndio), além de aprofundarem seus conhecimentos no cálculo hidráulico para dimensionamento de sistemas de sprinklers com uso do software SprinkCalc.

Nos dias 25 e 26 de outubro, a programação registrou apresentações e debates sobre tendências, novas tecnologias, atualização e impacto das normas, legislação, processo de certificação, instalação e manutenção de projetos, e cuidados necessários para manter patrimônios históricos.

Diana de Araújo, diretora financeira da ABSpk e sócia da empresa Tecfire, abriu oficialmente o evento apresentando os resultados de uma análise feita em cinco galpões logísticos e cinco edifícios comerciais em São Paulo ao longo de seis meses de 2018. Com apoio da International Fire Suppression Alliance (IFSA), o objetivo do estudo foi entender as possíveis causas de falhas dos sistemas de sprinklers, no caso de incêndios, partindo do princípio que todos os projetos eram bem elaborados e contavam com uma boa instalação.

Sete aspectos considerados fundamentais para o bom funcionamento dos sprinklers foram avaliados: procedimentos de inspeção, reservatórios do sistema de incêndio, bombas de incêndio, sinalização e alarmes, válvulas, condições gerais dos sprinklers e das tubulações, e os impactos da falta de energia.

“Estatísticas mostram que 80% dos casos de ocorrência de incêndios em que a edificação conta com sistemas de sprinklers, o fogo se alastrou por conta de válvulas fechadas ou bombas que não funcionaram. Nesse estudo, queríamos evidenciar esses episódios e colaborar com propostas de soluções”, declara Diana.

Embora a amostragem tenha sido pequena para uma cidade do tamanho como São Paulo, as principais conclusões destacadas foram que tanto os edifícios comerciais como os galpões apresentaram condições precárias de manutenção. Essa constatação é resultado de uma legislação não rigorosa o suficiente em termos de ITM (inspeção, teste e manutenção) para esses tipos de edificações.

Outro ponto agravante observado foi em relação à brigada de incêndio, que sabe manusear os equipamentos, mas não sabe fazer a manutenção dos mesmos. Além disso, a brigada entende que a equipe de manutenção é responsável pelos procedimentos que se referem a incêndios e vice-versa.

Esse jogo de “empurrar” a responsabilidade para o outro acaba resultando em uma manutenção deficiente dos sistemas de sprinklers. E, como se não bastasse, durante os seis meses de inspeção, os dez empreendimentos estudados trocaram suas equipes, o que desfavorece as tarefas de manutenção.

Diante das conclusões evidenciadas, a ABSpk propôs a criação e distribuição de uma cartilha explicativa mostrando como inspecionar, testar e manter os sistemas hidráulicos de proteção e combate a Incêndio. “Nosso lema é Proteger Faz Diferença e para isso, vamos unir forças para trabalhar a prevenção de incêndios no Brasil. Juntos, conseguimos contribuir e alcançar muito mais”, diz otimista Melo.

Aspectos Jurídicos
Um tema de relevante importância abordado pela primeira vez no evento foram os aspectos jurídicos da responsabilidade civil e criminal de projetistas, instaladores e usuários de sistemas de sprinklers. Para debater o tema, o procurador José Carlos de Freitas, da Procuradoria da Justiça de Direitos Difusos e Coletivos, esclareceu que vários atores têm sua parcela de responsabilidade no caso de um incêndio.

Segundo ele, o artigo #186 do Código Civil determina que “aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Precisamos garantir que haja uma forte aliança entre os Corpos de Bombeiros e os órgãos de certificação e normativos a fim de criar uma lei de certificação. Só assim, daremos um salto de qualidade”, aponta Freitas.

Certificação
Em linha com as afirmações de Freitas, Felipe Decourt, Diretor Executivo da Skop e Presidente do Conselho Deliberativo da ABSpk reafirmou a importância da instalação de sprinklers certificados nas edificações, ressaltando que a confiabilidade dos bicos deve variar entre 99,4% e 99,76% para que os sistemas consigam conter um incêndio. E, para garantir tal índice, os sprinklers de fabricação nacional passam por cerca de 150 processos durante sua produção, sendo 20% deles fabris e os 80% restantes relacionados ao controle de qualidade, também conhecido como qualidade invisível, que inclui o uso de ferramentas, insumos, equipamentos e instrumentos de medição adequados, usinagem de boa qualidade e torque de fechamento adequado durante a montagem, entre outros.

Legislação em Patrimônios Históricos
Outro painel que chamou muito a atenção dos presentes durante o Congresso foi o de Edificações Históricas. Isso porque muito se discute a respeito das recentes tragédias que vivenciamos nos últimos anos, como o Museu Nacional, em setembro desse ano, o Museu da Língua Portuguesa, em 2015, o Liceu de Artes e Ofício de São Paulo, em 2014, o Instituto Butantã, em 2010, e o Memorial da América Latina, em 2013. Dentre esses e tantos outros edifícios incendiados, apenas o Memorial da América Latina tinha sistemas de sprinklers instalados, mas que não funcionaram por falta de manutenção adequada.

O desafio atual, inclusive discutido pelo setor, é tomar como verdade alguns mitos, como por exemplo, que a água é prejudicial para a contenção de fogo em edifícios históricos porque pode destruir os acervos neles armazenados. Ou ainda que a água danifica, quando, na verdade, controla.

A 3ª edição do Congresso Brasileiro de Sprinklers (CBSpk), que aconteceu entre os dias 23 a 26 de outubro, em Atibaia, São Paulo. A próxima edição do Congresso Brasileiro de Sprinklers acontecerá em 2020, ainda sem local definido.

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