Reflexões da Redação
28 DE agosto DE 2017 - 19:21

Situação de emergência lembra falta de investimento

Reflexão dos editores deste portal

As manchetes deste início de semana deram um rápido alívio às questões políticas que emporcalham o país. Desta forma, os destaques da imprensa mostram que um quarto dos municípios brasileiros está em estado de emergência causado pela seca ou pelo excesso de chuva. Ou seja, das 5.570 cidades, 1.296 estão pedindo socorro para enfrentar as dificuldades.

Aliás, isso não é novidade, pois entra ano sai ano – entra governo sai governo – a situação se repete. A seca que atinge grande parte do nordeste do país já é conhecida há pelo menos duzentos anos – a história conta que o primeiro plano foi gestado à época de D. Pedro II, em 1847 -, porém nunca houve qualquer ação para minimizar o sofrimento dos brasileiros da região.

O pouco que se fez consumiu muito dinheiro e resultou em praticamente nada. Ou melhor, ajudou muitas lideranças – especialmente políticas – que se locupletaram e fizeram riqueza com as verbas públicas destinadas ao combate da seca e desenvolvimento regional. Convencionou-se chamar este triste movimento de “indústria da seca”.

Durante décadas não se investiu em infraestrutura que garantisse a dignidade à população daquele canto do país. O que se fez – e se faz até hoje – foi esperar a calamidade chegar para lançar medidas paliativas como a distribuição de água através de carros-pipa e a construção de cisternas.

Jamais se buscou implantar um sistema de desenvolvimento sustentável na região, para que as pessoas não necessitassem sempre de ações assistencialistas do governo. Talvez até tenham pensado, mas nunca houve investimentos e incentivo público à agricultura adaptada ao clima e solo da região, com sistemas de irrigação.

A transposição do rio São Francisco, quando concluída, em nossa leiga visão terá grandes dificuldades para cumprir seu papel de levar água ao semiárido, visto que o Velho Chico também sofre com as estiagens e, muitas vezes, não consegue atender a própria população ribeirinha.

Ou seja, o que estamos querendo dizer é que, ao longo do tempo, faltou uma política séria de investimentos em infraestrutura. Muito dinheiro público já se gastou e o resultado não veio. O pouco que se fez não trará retorno ao sofrido cidadão do nordeste, a não ser para aqueles que gerenciaram a tal “indústria”.

No caso das inundações, especialmente no sul do país, muito desastre poderia ter sido evitado com obras de contenção e desvios de rios, especialmente daqueles que todo ano saem dos seus leitos e destroem cidades, casas e famílias. O roteiro já é conhecido e muito pouco tem sido feito para minimizar.

Incidentes climáticos ocasionais à parte, investimentos fortes em infraestrutura também ajudariam sobremaneira a redução dos problemas. Da mesma forma que no nordeste, as autoridades, ano após ano, esperam acontecer os desastres para depois entrar com os pedidos de verbas emergenciais.

Não bastassem essas questões, há também cidades sofrendo com o racionamento de água – caso de São Paulo, há dois anos, e Brasília, agora – fruto, também, da falta de investimentos em obras e serviços que garantam a normalidade do abastecimento.

Agindo assim, as questões jamais serão solucionadas, pois os governos jamais terão recursos suficientes para atender as demandas, especialmente no Brasil de hoje, praticamente destruído pela crise econômica e política.

Entretanto, para corrigir essa falta de infraestrutura, o país e seus dirigentes precisam mudar totalmente a maneira de conduzir os projetos, adotando investimentos em obras preventivas que, provavelmente, tornarão menores as perdas e os sofrimentos.

Neste contexto, o recém-anunciado programa de privatização de empresas e órgãos públicos poderá ajudar muito na agilidade e na realização de obras e serviços com um menor risco de corrupção.

Nota de rodapé: sobre privatizações, é interessante relatar a reação dos políticos que, ao se sentirem ameaçados com a perda de cargos e salários de seus protegidos nas estatais – que lhes rendem dividendos – passaram imediatamente a se posicionar contra. Vindo de quem vem, já era de se esperar.

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