Análise Econômica, Política & Social
2 DE julho DE 2019 - 14:23

Setor químico tem recuperação em maio, mas cai nos primeiros meses do ano sobre 2018

O segmento de produtos químicos de uso industrial apresentou melhora nos resultados de maio em relação ao mês anterior com crescimento nos índices de produção de 8,01%, vendas internas de 2,1% e consumo aparente nacional (CAN), que mede a produção mais importação menos exportação, de 8,1%.

No entanto, segundo a Abiquim – Associação Brasileira da Indústria Química -, apesar da melhora no cenário mais recente, no acumulado de janeiro a maio de 2019 em relação ao mesmo período do ano passado, o setor apresenta recuo no índice de produção de 1,61% e no consumo aparente nacional de 5,1%.

O nível de utilização da capacidade instalada ficou em apenas 72% na média dos cinco primeiros meses de 2019, três pontos abaixo da taxa de igual período do ano passado. Nos últimos 12 meses, de junho de 2018 a maio de 2019, o índice de produção apresenta recuo de 2,68% sobre os 12 meses anteriores, sendo o 15º mês consecutivo de resultado negativo.

A química está presente na base de inúmeras cadeias industriais e se ressente do enfraquecimento e da redução da atividade econômica nacional, especialmente em cadeias como embalagens, linha branca, construção civil, dentre outras.

Outro fator que tem afetado a competitividade é a alta de insumos básicos e de energia (como gás natural), que estão pressionando os custos unitários de produção justamente em um momento em que o nível operacional se encontra em patamares baixos.

Dada a facilidade de penetração e atratividade pelo mercado brasileiro, não é possível, no caso da indústria química, competir com alguns países que detém vantagens comparativas, especialmente em termos de energia elétrica e matérias-primas básicas, tão relevantes para o setor.

A diretora de Economia e Estatística da Abiquim, Fátima Giovanna Coviello Ferreira, explica que “no entanto, apesar dessas incertezas, o setor químico está otimista com o lançamento do Programa Novo Mercado de Gás, divulgado pelo Conselho Nacional de Política Energética – CNPE -, na última segunda-feira (24 de junho), que trará frutos importantes para o setor, maior usuário entre os segmentos industriais de gás e o único que utiliza o produto como matéria-prima”.

O setor químico pode passar por uma transformação nos próximos anos, com a disponibilidade dos líquidos do gás, que são matéria-prima nobre da petroquímica, e que podem atrair investimentos no País, como ocorreu com os Estados Unidos e o shale gas nos últimos anos.

“As perspectivas são de que ocorra redução dos custos do gás e da energia em 50% nos próximos anos, o que muda o ambiente de negócios e as perspectivas, sendo considerada a melhor agenda positiva dos últimos anos, com possibilidade de atração de novos investimentos e impacto substancial no crescimento do PIB”, afirma Fátima.

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