Reflexões da Redação
21 DE fevereiro DE 2018 - 13:08

Rio ou Brasil?

Reflexão dos editores deste portal

Qualquer mudança constitucional está temporariamente impedida enquanto vigorar a intervenção federal na segurança pública no Rio de Janeiro. Não que o Rio não seja importante. É que a tão necessária reforma da Previdência – entre outras PECs estacionadas no Congresso -, que traria benefício para o país todo, foi praticamente enterrada.

Completamente refém de políticos – muitos deles preocupados em defender seus privilégios -, o governo não conseguiu conduzir a esperada reforma, frustrando a parte consciente da sociedade. Assim, acreditar que o debate poderá voltar após eleições deste ano, é acreditar em Coelhinho da Páscoa ou Papai Noel.

Neste aspecto, empresários, analistas e economistas sempre foram unânimes ao defender que uma nova Previdência seria o principal pilar do equilíbrio permanente das contas públicas, e a não aprovação, por consequência, colocaria em risco o ajuste fiscal e a estabilidade, o que pode provocar a reversão na trajetória de crescimento alcançada nos últimos meses no país.

É claro que a falta de segurança está apavorando os cariocas e fluminenses, porém, a situação foi causada pelos próprios governantes que por lá passaram nos últimos 20, 30 ou mais anos, que corromperam e se deixaram corromper, levando o Estado ao caos vivido hoje.

Entretanto, há do outro lado um país inteiro com problemas sérios – iguais ou maiores que o Rio – e que luta para sobreviver com a falta de recursos e investimentos. Desta forma, a não correção agora de problemas básicos da Previdência, como idade e unificação das aposentadorias, muito em breve o país não terá como honrar com os benefícios aos seus cidadãos.

Ao optar pelo Rio, o governo agiu sem pensar naquilo que, durante pelo menos um ano, trabalhou e investiu (vide emendas parlamentares e distribuição de cargos), jogando no lixo a esperança de uma reforma fundamental para o futuro dos brasileiros e das empresas.

Deixar a reforma de lado significa deixar de lado a retomada dos investimentos em infraestrutura, saúde, educação, moradia e, também, em outras ações fundamentais para a volta da empregabilidade e da dignidade ao nosso povo.

Hoje, com o leite já derramado, a única esperança que resta é que a intervenção não seja apenas uma jogada de marketing político do governo – que não estava conseguindo votos suficientes para a reforma da Previdência -, e que, ao cabo das ações militares, possa produzir uma verdadeira política de segurança pública para o Rio de Janeiro e para as demais unidades da Federação, que sofrem do mesmo mau, várias delas em situação pior.

Só para ilustrar, o Rio está longe de ser o estado mais violento do país. No ranking de mortes violentas, ele aparece em décimo lugar, com 37,6 vítimas para cada 100 mil habitantes. Os dados são do relatório divulgado em outubro passado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O primeiro estado da lista é Sergipe, com 64 mortes, seguido por Rio Grande do Norte (56,9) e Alagoas (55,9).

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