Reflexões da Redação
17 DE agosto DE 2017 - 20:52

Reforma eleitoral dificultará renovação no Congresso

Dos editores deste portal

A reforma eleitoral – distante de uma efetiva e dialogada reforma política -, que já passou pela Comissão Especial da Câmara, seguiu para votação no plenário da Casa, o que deverá acontecer na próxima semana.

O relatório a ser votado tem como um dos destaques a criação de um fundo eleitoral de R$ 3,6 bilhões para as campanhas dos partidos e políticos já em 2018, uma verdadeira afronta à sociedade brasileira que tanto clama por investimentos em saúde, previdência, educação, moradia, segurança.

Há também uma proposta da Comissão de se ocultar a identificação de doadores para as campanhas quando os valores não ultrapassem três salários mínimos, o que poderá gerar um grande volume de recursos movimentados sob Caixa 2, escapando da almejada transparência.

Sobre a proposta de “distritão” para o novo sistema eleitoral, o cientista político Rodrigo Augusto Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a reforma tende a transformar algo ruim em algo muito pior, com vistas à manutenção dos donos do poder e do status quo em detrimento dos partidos e da qualidade da democracia e de nossa república.

Segundo ele o novo sistema personaliza ainda mais a política, favorecendo os candidatos em detrimento dos partidos, de suas ideologias e propostas; prejudica os candidatos com menos recursos e menos visibilidade.

Prando afirma também que o sistema proposto prejudica os partidos menores e a representatividade das minorias, pois só são aproveitados os votos dos que vencem; dá visibilidade às chamadas celebridades (sem história partidária ou formação política, os outsiders); e, pior, há baixa renovação no Congresso, visto que os já eleitos, por serem conhecidos, tendem à reeleição.

Corroborando esse pensamento, o movimento Vem Pra Rua diz que, com esse dinheiro nas mãos, não ocorrerá renovação alguma em 2018, porque não haverá novos candidatos que conseguirão concorrer com os candidatos milionários.

Neste momento em que se busca escapar de uma profunda crise política/econômica, aprovar medidas como essas significa confirmar que os parlamentares, mais uma vez, vão virar as costas para os brasileiros.

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