Análise Econômica, Política & Social
12 DE setembro DE 2017 - 13:30

Placas de vende-se e aluga-se com os dias contados

Reflexão dos editores deste portal

Não precisa ser especialista para perceber que a crise econômica pegou de cheio o mercado imobiliário do país. Os financiamentos rarearam e os novos investimentos foram engavetados. Diante disso, acabou sobrando um grande estoque de imóveis comerciais e residenciais para vender ou alugar.

Corrobora isso uma caminhada, por exemplo, pelas ruas de São Paulo, a maior cidade do país, onde é fácil identificar a catástrofe imobiliária, tantos são os endereços com placas de aluga-se e/ou vende-se.

Agregue-se a esse cenário desolador a grande quantidade de imóveis que tiveram as obras iniciadas, mas que acabaram se transformando em esqueletos de concreto e ferro, sem perspectivas para a retomada da construção.

Até três ou quatro anos atrás era possível realizar um negócio de compra ou venda em prazos cômodos para os proprietários e construtores, que variavam de três a seis meses, conforme o porte e localização do imóvel.

Desde o final de 2015 tudo ficou pior: para vender um bem, passou-se a esperar de um a dois anos, com o risco de nem conseguir fechar o negócio. O mesmo ocorria com as locações: o estoque de imóveis comerciais ou residenciais é tamanho que muitos proprietários, desanimados, até retiram as placas.

Esta situação é confirmada pela última Pesquisa do Mercado Imobiliário, realizada pelo Secovi-SP, que apurou que em junho de 2017 a comercialização de 1.853 unidades residenciais novas na cidade de São Paulo. O volume é 14,6% inferior ao total vendido no mês imediatamente anterior (2.170 unidades) e 11,6% abaixo do resultado de junho de 2016, quando foram comercializadas 2.097 unidades.

Já, no caso das locações, a pesquisa Secovi-SP apontou uma pequena elevação de 0,7% nos preços  médios dos aluguéis no mês de julho, o que, segundo a entidade, representa uma leve melhora, mas o estoque ainda é muito grande.

Esse pequeno detalhe pode ser a justificativa para o que nem tudo está tão ruim que não possa melhorar. Um recente estudo da CNI – Confederação Nacional da Indústria – mesmo com a retração da atividade e a alta ociosidade no setor, as perspectivas dos empresários da indústria da construção estão menos pessimistas.

Os indicadores de expectativas para os próximos seis meses para o nível de atividade, contratação de novos empreendimentos e serviços, compra de insumos e matérias-primas e número de empregos se aproximaram da linha divisória dos 50 pontos, que separa o otimismo do pessimismo.

Conforme a Sondagem Indústria da Construção da CNI, o índice de expectativa do nível de atividade em agosto ficou em 49,8 pontos, o de novos empreendimentos e serviços alcançou 48,4 pontos e o de número de empregados subiu para 48,2 pontos. O destaque é que quando os índices ficam acima de 50 pontos, passam a revelar otimismo. Melhor ainda: o índice de confiança do empresário do setor da construção ficou em 50,3 pontos.

Segundo a economista Flávia Ferraz, da CNI, as expectativas de retomada da economia e de manutenção do ciclo de queda dos juros contribuíram para a melhora das perspectivas dos empresários da construção. Ela afirma que, embora ainda esteja em um nível muito baixo, o índice de intenção de investimentos também melhorou um pouco. “Subiu para 29,1 pontos neste mês e está 2,3 pontos acima do registrado em agosto de 2016”, concluiu.

Caso as previsões da Sondagem da CNI se confirmem, 2018 será um ano melhor, com a retomada dos negócios, a redução dos estoques e a consequente diminuição do número de placas, que, espera-se, estejam com os dias contados.

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