Análise Econômica, Política & Social
13 DE janeiro DE 2020 - 21:10

Otimismo nas perspectivas do mercado de gás

2019 foi um ano em que pouco avançamos no desenvolvimento da cogeração a gás natural no país, muito em função dos aumentos que vivenciado no final de 2018 e começo de 2019 nas diversas distribuidoras, quando ficou praticamente impossível o desenvolvimento de novos projetos de cogeração a gás. A análise é de Newton José Leme Duarte, presidente executivo da Cogen – Associação da Indústria da Cogeração de Energia.

Segundo ele, mesmo no ano de 2019, as perspectivas com gás se engrandeceram enormemente na medida em que o governo – principalmente na pessoa do ministro da Economia, Paulo Guedes – colocou como obrigação do País o equacionamento do preço de Gás, com o objetivo de trazer um preço de gás equiparável ao mercado internacional. Isso abrirá portas para desenvolver a cogeração e trazer eficiência para a indústria brasileira e também para o comércio e – por que não dizer? – até o mundo residencial.

“De um lado fomos mal porque vivenciamos o período de altos preços do gás, totalmente defasados do preço internacional, sendo que vivenciamos preços de 12 a 13 dólares por milhão de BTU quando o mercado internacional ronda entre 3 e 7 dólares por milhão de BTU em uma condição muito desfavorável para a competitividade da indústria brasileira”, destaca Duarte.

Para ele, por outro lado, novas perspectivas se abrem a partir de 2019, na medida em que o governo quer criar uma pluralização do fornecimento de gás, trazendo novos players para o GNL, trazendo novos players para desenvolver poços maduros de gás, para trazer perspectivas de esse gás produzido no Pré-Sal encontrar maneiras de desaguar no mercado brasileiro. Seja com grandes âncoras termelétricas a gás natural com ciclos combinados e grandes projetos, a exemplo da empresa GNA, em Porto de Açú, no Rio de Janeiro, com blocos de 1500 MW, e com perspectivas de se colocar um segundo bloco já em construção, além de uma perspectiva de dobrar isso.

Perspectivas
“Para 2020, eu vejo que, na medida em que tivermos acesso a um gás de custo inferior, vamos poder retomar o processo de Geração Distribuída e de cogeração a gás natural, principalmente para a indústria. Isso trará eficiência para a indústria, acesso ao calor, ao vapor, à água gelada de uma maneira competitiva, com excelente grau de eficiência, acima de 90%, e possibilitando também às empresas o uso do sistema de Net Metering, caso elas instalem sistemas até 5MW ou vendendo excedentes”.

Para o presidente da Cogen, as perspectivas são excelentes e, na medida que o governo consiga acelerar esse processo e criar condições no mercado para que a gente tenha um mercado de gás competitivo no Brasil, a indústria e o comércio vão saber fazer uso desse gás, para que possamos evoluir, e a cogeração vai ter um papel importantíssimo a medida que ela traz resiliência, eficiência, segurança e confiabilidade para os sistemas energéticos dessas indústrias, comércios, hospitais, datacenters, aeroportos etc. Então, as perspectivas são espetaculares.

Para fazer esse setor se desenvolver, Newton Duarte diz que, é preciso que o governo crie condições à semelhança do setor elétrico, “em que estamos desenvolvendo o sistema de transmissão para ter condições de levar a eletricidade para os rincões brasileiros”. Segundo ele, o mesmo tem que acontecer com o gás.

“Nós temos que desenvolver os sistemas troncais de transporte do gás de tal forma que a gente possa mais e mais levar um gás competitivo, com competição no fornecimento, de forma a dotar a nossa indústria – a indústria longe da costa – ao acesso ao gás e produzir soluções com gás barato, gás competitivo a nível internacional. Nós precisamos que o governo seja extremamente pragmático, firme e não arrede pé de levar esse gás de forma competitiva para o usuário”, reivindica.

Para Duarte, as distribuidoras de gás vão ter um papel importantíssimo na medida em que elas tenham que buscar um gás mais competitivo e tem que haver, de parte da ANP, da agência reguladora, uma maneira de eficientização, para que ela cada vez mais se preocupe em trazer um gás mais barato. “Então, o que precisamos é forçar para que esse gás seja cada vez mais barato para o consumidor – obviamente respeitadas as condições contratuais, da concessão e tudo o mais”, conclui.

Fonte: site da Cogen – Associação da Indústria da Cogeração de Energia

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