Reflexões da Redação
3 DE fevereiro DE 2019 - 18:57

O calor insuportável e o consumo de energia elétrica

Reflexão dos editores deste portal

As elevadas temperaturas registradas em todo o país nos últimos meses estão obrigando as pessoas a buscarem alternativas para se refrescarem, nem que seja por uns minutinhos na tentativa de aplacarem o calor insuportável.

Há relatos de cidades aonde as pessoas chegaram a enfrentar temperaturas acima de 40 graus, e sensação térmica que atingiu a marca de 80 graus, como foi o caso de Antonina, no Paraná, em meados de dezembro.

Aliás, em função das altas temperaturas registradas no país, o Operador Nacional do Sistema Elétrico registrou mais um recorde de carga no Sistema Interligado Nacional no dia 30 de janeiro, com a demanda máxima chegando a 90.525 MW.

Nas ruas, a saída tem sido a sombra de uma árvore ou uma loja, um bar, um restaurante, uma farmácia ou um shopping que tenham um aparelho de ar-condicionado funcionando, pois ventilador já não dá mais conta. No transporte público, a sorte dos passageiros é encontrar um ônibus e um trem refrigerados.

Nas residências, a grande maioria das pessoas ainda tem que conviver na esperança diária de uma brisa que refresque o ambiente ou um ventilador que na maioria das vezes espalha um ventinho morno. Porém, segundo a Eletros, entidade que representa fabricantes de aparelhos domésticos, cada vez mais as pessoas estão buscando o ar-condicionado como opção, tanto que, no ano passado a produção destes aparelhos cresceu mais 60% em relação a 2017.

Segundo o engenheiro Arnaldo Parra, da área de instalação da Abrava, o uso do aparelho de ar-condicionado ao longo dos anos deixou de ser um item de luxo por estar ligado diretamente à qualidade de vida. Ele destaca que o conforto térmico se faz necessário no dia-a-dia do ser humano, lembrando que cada indivíduo respira cerca de 450 litros de ar por hora, 10 mil litros por dia e passa cerca de 80% do seu dia em ambientes fechados.

Aí surge uma questão: o aumento do consumo de energia elétrica que precisa ser equacionado pelas pessoas, porque a conta de luz pode explodir. Em edifícios comerciais, por exemplo, estima-se que o uso do ar-condicionado represente de 30% a 40% do consumo total de energia.

Neste contexto, Parra cita que hoje existem no mercado diversos modelos de condicionadores de ar, e alguns requisitos devem ser observados para que o custo-benefício seja interessante para o comprador como a capacidade térmica do equipamento, geralmente utilizado o BTU/h, que define a carga térmica que deverá ser removida do ambiente.

Para isso, a Indústria já oferece uma sensível evolução tecnológica do ponto de vista da eficiência energética, o que permite que os sistemas de climatização apresentem níveis de consumo de eletricidade de até 40% a menos com relação a sistemas produzidos na década de 90.

Ele afirma, também, que isso favorece tanto aos ocupantes de ambientes corporativos, quanto à população em geral, que assim podem continuar a usufruir do conforto térmico, sem ter que desligar seus equipamentos de climatização por conta de tarifas sobretaxadas, visto que equipamentos modernos são mais eficientes e econômicos.

Parra destaca que um sistema de ar-condicionado bem projetado – dimensionado, corretamente instalado, com a operação e manutenção realizada periodicamente – significa um consumo de energia adequado e um ambiente climatizado com controle de temperatura, umidade, filtragem, renovação de ar, controle da velocidade e distribuição uniforme do ar no ambiente, propiciando melhores condições de trabalho e incrementando a produtividade e a melhor qualidade de vida.

O especialista da Abrava diz que estudos indicam que se todos os equipamentos de climatização com mais de 25 anos de funcionamento existentes no Brasil fossem substituídos por equipamentos de última geração, a economia resultante com eletricidade seria da ordem de uma usina hidrelétrica da dimensão de Itaipu.

Detalhes divulgados pelo portal ClimaInfo – São Paulo viveu o janeiro mais quente dos últimos 76 anos, o Rio de Janeiro viveu seu verão mais quente dos últimos 97 anos e, em alguns pontos, a Austrália viveu o verão mais quente desde que começaram os registros no século 19. Ainda na Austrália, foram registradas enchentes recordes em pontos do norte do estado de Queensland. Ao mesmo tempo, o vórtex polar fez a população em torno dos Grandes Lagos norte-americanos passar por recordes de temperaturas baixas, parecidas com as encontradas na Sibéria.

Observação nossa: só Trump não entendeu o aquecimento global.

 

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