Reflexões da Redação
27 DE dezembro DE 2018 - 16:36

Novo olhar sobre a indústria

Reflexão dos editores deste portal

Não foram poucas as vezes que recebemos manifestações de líderes do setor industrial sobre a falta de interesse dos governantes em estabelecer políticas capazes de fortalecer a competitividade das empresas instaladas no país.

Ou seja, a grita sempre girou em torno de uma política industrial que fosse capaz de dar vida às empresas que, por anos a fio, investiram fortemente no Brasil, produzindo, mesmo em ambiente nada favorável, bens de qualidade, melhorando a economia e gerando empregos.

Diferente do que se propala, as empresas nunca buscaram benesses para conseguir produzir no país, mas, sim, regras claras, recursos e condições administrativas e jurídicas que fizessem frente ao ambiente extremamente burocrático que, muitas vezes, as afastaram da possibilidade de competir no mercado local e, também, no internacional.

Ao longo dos anos, as indústrias – e também os setores comercial e de serviços – têm convivido com o famigerado e envelhecido Custo Brasil, representado por um conjunto de leis, regras, impostos e taxas que amarra as empresas em diferentes níveis e que as impede de serem competitivas, redundando no fechamento de milhares de portas, e, por consequência, de incontáveis postos de trabalho.

Como se sabe, todas estas questões foram apresentadas de forma aberta ao novo governo, na esperança de que, num ambiente mais técnico, como se tem divulgado, os problemas possam ser enfrentados de maneira a equacionar as velhas travas do desenvolvimento.

Neste contexto, em uma recente entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o economista Caio Megale, que chefiará a Secretaria de Indústria, Comércio e Inovação do futuro Ministério da Economia do governo Bolsonaro, deixou transparecer algumas posições que parecem se aproximar do caminho almejado pelos empresários: o diálogo antes das medidas.

Ele corrobora as palavras do futuro ministro Paulo Guedes que prometeu a um grupo de representantes da indústria que manterá um canal de diálogo direto com o setor, procurando aplacar as preocupações dos empresários que temiam ficar negligenciados com o fim do que é hoje o MDIC – Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

De cara, Caio Megale esclarece que o seu principal papel será diagnosticar os problemas no setor produtivo da economia e propor soluções e políticas. Segundo suas palavras, são muitas dificuldades burocráticas e políticas que representam empecilhos para a engrenagem da produtividade e competitividade das empresas.

Reconhecendo os problemas e usando de figura de linguagem, Megale analisa a situação atual desta maneira: “a solução mais simples para um sujeito que está com problema na perna, em vez de operar a perna dele, é dar a ele uma muleta. Acho que o Brasil criou muitas muletas e muitas formas de não resolver o problema”.

Ele deixa claro com essa afirmação que o novo governo vai retirar as muletas que foram criadas para compensar problemas de competitividade nos governos anteriores e que não deram resultados.

Megale deixa transparecer na entrevista que pretende, desde o início, estar o mais próximo possível de todos os setores da indústria, do comércio e de serviços em todo o país, para que consiga fazer um bom diagnóstico dos problemas. Ele destaca, ainda, que a Secretaria vai buscar políticas que resolvam a competitividade do Brasil de forma geral, que não sejam muletas, procurando resolver de fato os problemas.

O futuro secretário insiste que para identificar a raiz das questões é preciso conversar. “Quero ouvir as empresas e os setores. É interessante ir até lá. Quero fazer uma gestão descentralizada. Um pouco na linha de menos Brasília e mais Brasil”.

Por exemplo, no caso da indústria automobilística – que considera relevante para a economia brasileira -, Megale afirma que se conseguir avançar na agenda de simplificação tributária, redução de obrigações acessórias, melhoria de infraestrutura e transporte, melhoria do ambiente de negócios e do lado fiscal, será possível encontrar uma boa solução.

Sobre programas já existentes, ele destaca que é fundamental desenvolver indicadores que mostrem sua efetividade. “Se tivermos um bom painel indicando custos e a efetividade desses programas, poderemos fazer uma avaliação melhor sobre eles. Eventualmente, para aqueles programas que se mostrem custosos demais e com pouca efetividade, nós podemos propor ajustes”.

Diante deste posicionamento, que esboça um novo olhar sobre a indústria, renovam-se as esperanças das empresas, dos brasileiros e do país de que o ambiente dos negócios locais e das relações internacionais vai melhorar, reforçando, assim, a busca de todos por um Brasil mais justo e com oportunidades renovadas para o desenvolvimento sustentável.

Em nossa opinião é necessário ouvir e diagnosticar, sim, porém é preciso, mais que isso, colocar em prática ações e políticas para que não se corra risco do mais do mesmo.

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