Reflexões da Redação
6 DE dezembro DE 2018 - 22:08

Novo governo, desafios grandiosos

Reflexão dos editores deste portal

Com a proximidade da data de posse do novo Presidente da República, o país vive um momento de grande expectativa pela confirmação da retomada da atividade econômica e do crescimento. Como já se nota, o Brasil está saindo aos poucos da crise provocada por governos inconsequentes e que, por anos a fio, usaram e abusaram da corrupção.

Neste contexto, destacamos alguns itens que indicam certo otimismo do mercado, com previsões de novos investimentos e novos lançamentos que começam a esboçar um cenário positivo e promissor para o novo período.

São informações que tendem a devolver confiança a investidores e empresários, que buscam segurança para ampliar seus parques fabris, aumentar a produção, contratar e capacitar capital humano.

Exemplo é a pesquisa da Associação Brasileira de Automação – GS1 Brasil – que aponta que os lançamentos de produtos realizados em novembro último denotam o otimismo e as boas expectativas das indústrias para 2019. A entidade registrou crescimento de 33,8% em relação ao mês anterior, e, melhor, crescimento de 19,4% nos onze primeiros meses deste ano sobre o mesmo período de 2017.

Um dado importante, que mostra a evolução do país, trata da confiança do empresariado industrial. A mais recente sondagem da CNI revelou que a confiança das empresas, em novembro, foi a mais alta em oito anos, alcançando 63,2 pontos (escala de 1 a 100 pontos), seis pontos acima do registrado em novembro de 2017 e nove pontos acima da média histórica. Fica, agora, a expectativa de que, em 2019, a confiança se concretize.

Outra pesquisa, esta da consultoria Boa Vista SCPC, constata que 38% dos executivos das empresas planejam para 2019 investimentos superiores aos praticados em 2018. Outros 29% falam em manutenção das inversões. E a esperança vai além: 45% dos entrevistados dizem que devem faturar mais no ano que vem.

Importante também é a previsão do Banco Central para o PIB de 2019, que aponta para um crescimento de 2,53%, o que, certamente, é um índice muito bom quando contrastado com os “pibinhos” dos últimos anos.

Agregue-se a esses dados a inflação controlada e a taxa de juros em um patamar palatável. Só faltam os bancos privados (e também os públicos) aceitarem a nova realidade do país e reduzirem os preços dos seus serviços.

Apesar de todas essas previsões, um dado chocou o país nos últimos dias: cresceu para 54,8 milhões o número de pessoas pobres e desassistidas no Brasil, o que representa o assustador índice de 26,7% de brasileiros na linha da pobreza, muitos deles sem casa para morar. Esse dado do IBGE é de 2017, que superou o de 2016 e de anos anteriores.

O vilão dessa triste história é bem conhecido: o retrocesso que a economia brasileira vem enfrentando desde 2014, período em que passou por baixo crescimento, desaceleração e recessão até chegar à lenta recuperação iniciada em 2017.

Este cenário gerou forte instabilidade nas empresas de todo o país, que, sem outra saída, foram obrigadas a promover cortes de vagas, o que acabou redundando em uma elevada taxa de desempregados, no aumento da informalidade e na consequente queda de rendimento das pessoas.

O último dado do IBGE mostra que, apesar de uma pequena melhora, a taxa de desemprego ficou em 11,7% no trimestre encerrado em outubro, o que significa que o país ainda tem 12,4 milhões de pessoas sem trabalho formal.

Ao lado deste preocupante problema social, o país vive uma profunda crise na saúde, na previdência, na educação, em moradia, na infraestrutura (de portos, aeroportos, estradas, saneamento, energia), nos investimentos públicos e nas relações internacionais, além de muitas outras questões encruadas (ou deixadas de lado) e sem solução por anos seguidos.

São questões graves e que precisam de um grande programa nacional para se encontrar soluções, de preferência com o apoio de toda a sociedade, dos políticos e das empresas. O primeiro passo parece que já está sendo dado: a redução (a zero, se possível) da corrupção que quase destruiu as empresas estatais e os serviços públicos do país.

Agora é fundamental que o novo governo coloque a Nação à frente de tudo, priorizando as pessoas e as empresas que fazem a engrenagem funcionar. Que não esqueça que os cidadãos estão cheios de serem enganados e querem seus representantes arregaçando as mangas e trabalhando para valer em prol do país.

O ambiente político hoje oferece condições mais favoráveis para que isso aconteça. A escolha de um economista com viés liberal para o ministério da Economia e a renovação de metade da Câmara dos Deputados e da grande maioria do Senado, criam as condições para que reformas fundamentais, como a Tributária e a da Previdência, sejam finalmente aprovadas.

Os desafios são grandiosos, mas, pelo que se tem visto, nos próximos anos conviveremos com uma política econômica forte – com destaque para as reformas e as privatizações – capaz de enfrentar as dificuldades iniciais e dar respostas que devolvam às indústrias, ao comércio e aos serviços a esperança de voltarem a competir interna e externamente.

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