Reflexões da Redação
9 DE outubro DE 2019 - 10:36

Jogo político atrasa retomada do crescimento do país

Reflexão dos editores deste portal

O Brasil vive mais uma vez momentos de grande instabilidade política, econômica – e até jurídica -, afastando, dia após dia, as possibilidades de atração de investimentos externos e internos que possam permitir a reativação do crescimento.

Neste contexto, lideranças do Executivo e do Legislativo não se entendem e deixam claro que cada um puxa a corda para seu lado, causando uma grande confusão nas discussões sobre temas fundamentais para o país, como as reformas da Previdência e Tributária que estão na pauta.

Em meio ao jogo político de polarização e extremismos, que parece uma tentativa de empurrar com a barriga os debates fundamentais, o que mais se tem falado no país é de rachadinha, de laranjal, do livro do Janot, do seu desafeto Gilmar, de preso que não quer progressão e de outros temas de menos importância do ponto de vista do desenvolvimento econômico.

Pode parecer ingênuo de nossa parte, mas não dá pra aceitar que política, que é a arte do diálogo e da negociação, transforme-se, mais uma vez, na arte da barganha, num verdadeiro retorno ao velho sistema do toma lá dá cá.

Com isso, o que importa de verdade para o país e para os brasileiros tem ficado para segundo plano, numa autêntica inversão de valores que tem levado empresas a reduzir – e até mesmo a suspender – qualquer novo aporte, com reflexo direto, por exemplo, nos índices de produção industrial.

Desta forma, o que se tem visto e ouvido é que, para boa parte das indústrias a falta de demanda, o acúmulo de estoque e as condições financeiras debilitadas ganham espaço entre as maiores preocupações apontadas por diferentes segmentos empresariais em todo o país.

Sobre isso, cabe destacar o último dado da Fundação Getúlio Vargas sobre a ‘Confiança da Indústria’, medido em setembro, que sinalizou recuo de 0,2 ponto em relação a agosto. Parece pouco, mas, segundo a FGV, o resultado negativo do índice teria sido determinado pela piora das expectativas dos empresários para os próximos meses, o que conta muito. Corrobora este dado, o levantamento Focus/Banco Central, que aponta que a projeção para a produção industrial em 2019 é de retração de 0,47%.

Recentemente o presidente da CNI, Robson Andrade, disse que o baixo dinamismo econômico dos últimos anos teve reflexos diretos, por exemplo, no setor da construção, provocando o abandono de vários empreendimentos. Foi o caso, lembrou, de concessões com base em projeções muito otimistas quanto ao nível da atividade e que tiveram a viabilidade financeira comprometida pela recessão.

Segundo ele, obras paralisadas são ruins pelo que sinalizam para investidores interessados em novos projetos. Elas apontam que, além dos riscos comerciais e de construção próprios dos empreendimentos, há questões fiscais e políticas a serem consideradas. Quanto maior for esse indicador, potencialmente maior será o retorno exigido pelas empresas e menor o investimento.

Como simples observadores da cena brasileira, ao nosso ver estes dados evidenciam que a demora para se tomar decisões tem gerado um grande desalento nos empresários, que vivem à espera de uma reviravolta no atual quadro para que o país retorne à normalidade, com a volta dos investimentos, do crédito e de políticas sérias que tragam a retomada, o quanto antes, da capacidade de produzir, de competir e de gerar empregos.

No entanto, até o momento, infelizmente o sentimento que se tem é que tudo vai ficar para a metade ou final do ano que vem. Para este ano, a expectativa de elevação do PIB, importante termômetro do crescimento, está em 0,9% e, se nestes últimos meses prevalecer o o jogo de empurra entre os condutores das políticas no pais, podemos chegar no fim do ano abaixo deste patamar, o que será desastroso.

Diante disso, acreditamos que somente a mudança de postura do Executivo e do Legislativo poderá determinar a reversão da situação de abandono a que os cidadãos estão expostos, especialmente com a debilidade de programas voltados para a recuperação da empregabilidade, saúde, educação, moradia, transporte, segurança e mais um número infindável de condições tomadas dos brasileiros.

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