Análise Econômica, Política & Social
31 DE agosto DE 2019 - 22:55

Intensidade do crescimento da indústria surpreende

O crescimento de 0,4% do PIB, liderado pela expansão de 0,7% da indústria no segundo trimestre do ano, é um sinal positivo para a economia. No entanto, a retomada do crescimento depende da combinação de ações urgentes e de reformas estruturantes.

Entre as ações urgentes, está o estímulo ao consumo, com medidas que facilitem o crédito, e, entre as reformas estruturantes, estão as mudanças no sistema tributário. A avaliação está no Fato Econômico 9, publicação da CNI – Confederação Nacional da Indústria, que avalia os dados do PIB, divulgados pelo IBGE.

De acordo com a publicação, o Brasil ainda não conseguiu sair da crise. A partir do primeiro trimestre de 2017, a economia brasileira teria iniciado um ciclo de expansão que, contudo, mostra-se muito fraco. O PIB segue 4,8% abaixo do que era há 21 trimestres, enquanto a indústria se reduziu 12% na mesma comparação.

“Como o crescimento médio do PIB desde o primeiro trimestre de 2017 é de apenas 0,4% ao trimestre, seriam necessários 11 trimestres para retomarmos o nível de atividade do início de 2014, caso esse ritmo se mantenha”, informa o Fato Econômico.

A indústria está especialmente preocupada com o baixo nível de investimentos. Mesmo com a melhora no segundo trimestre de 2019, o investimento segue 24,7% abaixo do registrado no primeiro trimestre de 2014, alerta a CNI.

O Fato Econômico destaca que, conforme os dados do IBGE, a indústria saiu da recessão. O setor cresceu 0,7% no segundo trimestre em relação ao período imediatamente anterior. O crescimento, que vem depois de dois trimestres consecutivos de queda do PIB Industrial, é resultado da expansão de 2% da indústria de transformação e de 1,9% da construção.

Depois da queda de 7,5% no primeiro trimestre, a indústria extrativa recuou 3,8% no segundo trimestre, especialmente em razão do rompimento da barragem em Brumadinho e suas consequências, como a paralisação de outras unidades de mineração em Minas Gerais.

“Os dados sugerem que há uma reação positiva que deve se potencializar com os avanços que tivemos de junho para cá com a reforma da Previdência, as privatizações, a medida provisória da Liberdade Econômica, a redução dos juros e, mais recentemente, em relação à reforma tributária”, afirma o gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.

“A consolidação desse ambiente mais favorável deve se refletir em maior confiança, mais investimento e consumo das empresas e das famílias, de tal modo que, para 2020, há expectativas de um crescimento mais expressivo do que os 0,9% esperados para este ano”, completa Castelo Branco.

NewsLetter

Cadastre-se e receba nossas notícias por e-mail.