Reflexões da Redação
17 DE abril DE 2018 - 16:38

Inovar é o que importa, também na política

Reflexão dos editores deste portal

Inovação é hoje a palavra de ordem que mais identifica o dia a dia de uma empresa. No mundo todo, em particular no Brasil, há o entendimento de que quem não promover mudanças nos seus processos produtivos e administrativos perderá a condição de competir no mercado, prejudicando o desenvolvimento e o crescimento da própria empresa e, por conseguinte, da nação onde está inserida.

Aliás, inovar é a palavra que deveria nortear todos os segmentos da sociedade. Os processos criativos nas artes, na educação, na saúde, enfim, em tudo, é que determinam a evolução. Não há mais a possibilidade de ficar parado esperando um milagre dos céus.

Neste contexto, vale a pena refletir sobre o que está acontecendo com o Brasil nos últimos tempos, principalmente com respeito à política e seus gestores. Pesquisas recentes têm apontado insistentemente que o brasileiro está cansado das atitudes dos políticos, especialmente dos que ocupam o executivo e o Congresso Nacional.

São tantas as atitudes erradas, corrupção e negociatas que a população acaba generalizando sua avaliação a respeito dos políticos. Sobre isso, o professor Gilson Alberto Novaes, da Universidade Mackenzie, mostrou em artigo que, dentre os 137 países avaliados no Índice de Competitividade Global pelo Fórum Econômico Mundial de Davos, o Brasil está em último lugar quanto à confiabilidade do povo nos políticos.

Isso é muito preocupante, pois a consequência é o afastamento cada vez maior das pessoas comuns do engajamento e do debate político, visto que, alijados dos processos, preferem agir por conta própria, e buscar sobrevivência em outras formas que não as normais.

Nos extratos menos privilegiados da sociedade, muitos têm se agarrado em ONGs, igrejas e manifestações culturais de suas comunidades, que tentam lhes dar uma vida digna. Porém, há outros que, no desespero ou fraqueza, se sujeitam a condições nada convencionais, que, na maioria das vezes, os leva ainda mais para o fundo do poço.

Exemplo claro é o Rio de Janeiro. Cansados da ausência do Estado, parcela dos cariocas passou a aceitar o comando de lideranças paralelas que impõem suas condições, administrando, por exemplo, os serviços básicos como fornecimento de gás, de luz, de água, transporte, correio, funcionamento do comércio e, até mesmo, o ir e vir das pessoas.

O Rio, na verdade, é só o iceberg da realidade brasileira. A falta da verdadeira política – aquela que nos dicionários é definida como a arte ou ciência de governar com organização, direção e administração de Estados – faz surgir a preocupação de que o país está à deriva, sem comando. É neste vácuo que surgem os aproveitadores.

Em agosto começam as campanhas eleitorais e vamos ter que ver e ouvir muita conversa mole e muita promessa impossível de ser realizada. Uma das formas de conseguir evitar erros é procurar conhecer a história dos candidatos e entender por que ele quer o seu voto. É difícil, mas é preciso tentar. Temos que errar menos do que já erramos até aqui.

É momento, portanto, de os brasileiros promoverem a inovação na política, não somente substituindo as pessoas que estão no poder – executivos e legislativos – mas exigindo, a partir de agora, uma postura ética, transparente e inovadora de quem venha a assumir as novas funções.

Como escreveu o professor Alberto Aggio, da UNESP, apesar de todas as dificuldades e dúvidas, resta expectativa de que a alegria das ruas e o desprendimento dos atores da política democrática – dentro e fora das instituições do Estado e dentro e fora dos partidos políticos -, hão de inventar maneiras para promover, em novo patamar, o encontro do país com a modernidade política.

NewsLetter

Cadastre-se e receba nossas notícias por e-mail.