Reflexões da Redação
3 DE junho DE 2018 - 1:02

Inovação, também na política

Reflexão dos editores deste portal

Inovação é hoje a palavra de ordem que mais identifica o dia a dia de uma empresa. No mundo todo, em particular no Brasil, há o entendimento de que quem não promover mudanças nos seus processos produtivos e administrativos perderá a condição de competir no mercado, prejudicando o desenvolvimento e o crescimento da própria empresa e, por conseguinte, da nação onde está inserida.

Aliás, inovar é a palavra que deveria nortear todos os segmentos da sociedade. Os processos criativos nas artes, na educação, na saúde, enfim, em tudo, é que determinam a evolução. Não há mais a possibilidade de ficar parado esperando um milagre dos céus.

Neste contexto, vale a pena refletir sobre o que está acontecendo com o Brasil nos últimos tempos, principalmente com respeito à política e seus gestores. Pesquisas recentes têm apontado insistentemente que o brasileiro está cansado das atitudes dos políticos, especialmente dos que ocupam o executivo e o Congresso Nacional.

São tantas as atitudes erradas, corrupção e negociatas que a população acaba generalizando sua avaliação a respeito dos políticos. Sobre isso, o professor Gilson Alberto Novaes, da Universidade Mackenzie, mostrou em artigo que, dentre os 137 países avaliados no Índice de Competitividade Global pelo Fórum Econômico Mundial de Davos, o Brasil está em último lugar quanto à confiabilidade do povo nos políticos.

Isso é muito preocupante, pois a consequência é o afastamento cada vez maior das pessoas comuns do engajamento e do debate político, visto que, alijados dos processos, preferem agir por conta própria, e buscar sobrevivência em outras formas que não as normais.

Nos extratos menos privilegiados da sociedade, muitos têm se agarrado em ONGs, igrejas e manifestações culturais de suas comunidades, que tentam lhes dar uma vida digna. Porém, há outros que, no desespero ou fraqueza, se sujeitam a condições nada convencionais, que, na maioria das vezes, os leva ainda mais para o fundo do poço.

A falta da verdadeira política – aquela que nos dicionários é definida como a arte ou ciência de governar com organização, direção e administração de Estados – faz surgir a preocupação de que o país está à deriva, sem comando. É neste vácuo que surgem os aproveitadores.

O recente episódio dos caminhoneiros desnudou a fraqueza e a falta de capacidade de nossas lideranças que deixaram de tomar providências acertadas e rápidas, causando sofrimento à população, que se viu às voltas com a falta de combustíveis e o consequente “quase” desabastecimento.

Em agosto começam as campanhas eleitorais e vamos ter que ver e ouvir muita conversa mole e muita promessa impossível de ser realizada. Uma das formas de conseguir evitar erros é procurar conhecer a história dos candidatos e entender por que eles querem o seu voto. É difícil, mas é preciso tentar. Temos que errar menos do que já erramos até aqui.

É momento, portanto, de os brasileiros promoverem a inovação na política, não somente substituindo as pessoas que estão no poder – executivos e legislativos – mas exigindo, a partir de agora, uma postura ética, transparente e inovadora de quem venha a assumir as novas funções.

Apesar de todas as dificuldades e dúvidas, resta a esperança de que quem for eleito para os novos mandatos priorizem unicamente as demandas dos cidadãos, promovendo, de forma verdadeira, o encontro do país com a modernidade na política.

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