Reflexões da Redação
29 DE agosto DE 2018 - 18:26

Infraestrutura requer investimentos de R$ 1,7 trilhão

Reflexão dos editores deste portal

Que a infraestrutura de transporte no Brasil é degradada e ineficiente todo mundo já sabia. Vivemos um momento bem particular, porque tanto o investimento público quanto o privado caíram drasticamente. Passou o tempo e muito pouco ou quase nada foi feito.

Entretanto, o que, provavelmente, não se conhecia é o quanto é preciso para a solução de todos os problemas que, há décadas, promovem o atraso no desenvolvimento do país. Um estudo preparado pela CNT – Confederação Nacional dos Transportes -, denominado Plano de Transporte e Logística 2018, identificou que o Brasil precisa de mais de R$ 1,7 trilhão para solucionar problemas e modernizar infraestrutura de transporte, elencando 2.663 obras fundamentais e necessárias.

O Plano identifica um conjunto de intervenções em todos os modais – rodoviário, ferroviário, aquaviário e aéreo, além do transporte público urbano -, visando a promover, da forma mais conveniente e com os menores tempo e custo, o deslocamento de pessoas e bens. Os projetos destacados também consideram a infraestrutura existente, identificando obsolescências, gargalos e descontinuidades.

As propostas, compreendidas em sua totalidade, apontam a infraestrutura de transporte ideal, de forma a ampliar a capacidade e a eficiência logística do Brasil.

Segundo o presidente da CNT, Clésio Andrade, o documento deixa claro o enorme desafio que os próximos presidentes terão que enfrentar. Ele afirma que, com as inúmeras demandas existentes, o setor público sozinho não dará conta de arcar com todo esse investimento. “Será preciso atrair a iniciativa privada com oferta de segurança jurídica, bons projetos e retorno atraente para os investidores”, destaca.

Neste contexto, a Abdib – Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base – também preparou sua Agenda de Proposta que prioriza um conjunto de avaliações e recomendações para aumentar o nível de investimento em infraestrutura no Brasil.

A entidade propõe no documento a criação de condições para a aceleração do aporte de recursos privados nos mais variados setores de infraestrutura, além de recuperar a capacidade do Estado de investir no setor.

A Agenda foi produzida para servir de base para a Abdib dialogar com autoridades e instituições públicas e privadas durante e depois do período eleitoral, incluindo integrantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário nas esferas federal, estadual e municipal.

Para o presidente da entidade, Venilton Tadini, os investimentos em infraestrutura são fundamentais, também, para finalizar o processo de ajuste fiscal no Brasil pelo lado das receitas, pois acarreta em geração de emprego, massa salarial, atividade econômica, arrecadação tributária, entre outros benefícios.

Diante de tudo que estas duas importantes entidades prepararam, fica evidente que o buraco é muito maior do que se imaginava, e que, se os próximos governantes não estabelecerem a infraestrutura como uma de suas prioridades, a tendência é o Brasil parar por falta de meios para escoar suas riquezas.

Há um consenso entre empresários, economistas e especialistas de que um país que despreza a importância da infraestrutura está fadado a travar as possibilidades de crescimento e desenvolvimento.

Porém, da forma como as coisas estão sendo levadas pelos homens que têm comandado e decidido os destinos do Brasil, fica difícil vislumbrar que os próximos governantes venham a tomar providências estruturais importantes num razoável prazo.

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