Reflexões da Redação
8 DE outubro DE 2019 - 19:54

Infraestrutura não pode ser bicho de sete cabeças

Reflexão dos editores deste portal

Não é de hoje que se fala da retomada da malha ferroviária de média distância para transporte de passageiros, especialmente entre cidades próximas da região metropolitana de São Paulo.

O assunto voltou às manchetes no início do ano com o novo governador do Estado, que, durante sua campanha manifestou a intenção de retomar as ligações entre a capital e as cidades de Campinas, Americana (num primeiro momento) e São José dos Campos, incluindo no pacote a possível retomada do ramal para Santos.

A ideia da malha paulista chegou a ser tratada também no governo Alckmin, porém foi arquivada diante da forte crise econômica e fiscal que afetou o país e os estados brasileiros a partir de 2015 e acabou sepultada.

Na nova gestão paulista, a proposta para a malha deverá vir através de Parceria-Público-Privada, seguida de concessão, com a participação de investidores estrangeiros, visando utilizar os trilhos já existentes, que hoje são utilizados pela concessionária federal para o transporte de cargas.

Obras como essa, que exigem grande folego, deveriam (longe do cancro da corrupção) servir de incentivo para outras regiões do país, pois representam melhoria para a combalida infraestrutura brasileira de transporte de passageiros e também carga. No caso de São Paulo, por exemplo, reduziria consideravelmente o tráfego de veículos nas rodovias Anhanguera, Bandeirantes, Dutra e Ayrton Senna.

Recentemente destacamos aqui no portal um estudo da CNT – Confederação Nacional dos Transportes – que identificou que o Brasil precisa de mais de R$ 1,7 trilhão para solucionar problemas e modernizar infraestrutura de transporte, elencando quase três mil obras necessárias.

A entidade identificou um conjunto de intervenções em todos os modais – rodoviário, ferroviário, aquaviário e aéreo, além do transporte público urbano -, visando a promover, da forma mais conveniente e com os menores tempo e custo, o deslocamento de pessoas e bens, considerando a infraestrutura existente, identificando obsolescências, gargalos e descontinuidades.

À época, a entidade deixava claro o enorme desafio que os governantes terão que enfrentar, destacando que seria preciso atrair a iniciativa privada com oferta de segurança jurídica, bons projetos e retorno atraente para os investidores.

Também a Abdib – Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base – apresentou um documento que prioriza um conjunto de avaliações e recomendações para aumentar o nível de investimento em infraestrutura no Brasil, propondo a criação de condições para a aceleração do aporte de recursos privados nos mais variados setores de infraestrutura.

Segundo a associação, os investimentos em infraestrutura são fundamentais, também, para finalizar o processo de ajuste fiscal no Brasil pelo lado das receitas, pois acarreta em geração de emprego, massa salarial, atividade econômica, arrecadação tributária, entre outros benefícios.

É consenso entre empresários, economistas e especialistas em transporte que um país que despreza a importância da infraestrutura está fadado a travar as possibilidades de crescimento e desenvolvimento. Neste contexto, torcem para que a infraestrutura não se torne mais um bicho de sete cabeças e que não seja abandonada à sorte mais uma vez.

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