Análise Econômica, Política & Social
27 DE abril DE 2019 - 20:51

Indústria de fundição cresce 3% no primeiro trimestre

O primeiro trimestre de 2019 foi marcado por um crescimento bastante tímido da indústria em geral, como já era de se esperar nestes meses de “transição” entre o antigo e o novo governo. No caso da indústria de fundição, a alta em relação aos três primeiros meses do ano passado foi de 3%. No comparativo com 2017, o crescimento foi de 9,4%.

A produção de fundidos entre janeiro e março deste ano totalizou 566.919 t, entre ferro fundido (453.537 t), aço (66.108 t) e metais não ferrosos (47.274 t). Nestes últimos estão contidos o cobre (5.121 t), zinco (294 t), alumínio (40.599 t) e magnésio (1.260 t).

Neste primeiro trimestre de 2019, o mercado interno consumiu 478.057 t. Trata-se de 5,6% mais do que no ano passado. As exportações de fundidos, por sua vez, caíram 9% em peso (88.862 t) e 13,1% em valores.

Segundo Roberto João de Deus, diretor-executivo da ABIFA, o comportamento das exportações não tem uma explicação lógica ao longo do ano. “Da mesma forma que estão em queda este mês, no próximo podem ter uma expressiva alta, sem motivo aparente”. O fato é que no pós-crise ela tem se mantido praticamente constante, tendo representado 16,5% da produção total de fundidos em 2018. Em março último, este percentual foi de 15,7%.

Quando questionado se a crise na Argentina pode estar afetando os embarques de fundidos brasileiros, o diretor lembra que somente indiretamente, haja visto que o país vizinho é um grande consumidor das montadoras brasileiras, mas não de nossas fundições.

Os Estados Unidos seguem como sendo os principais clientes do Brasil externamente e o terceiro maior produtor de fundidos do mundo, precedido da China (em primeiro lugar) e da Índia (em segundo). Juntos, os três países respondem por 70% da produção mundial, totalizando 71,13 milhões de toneladas. No ranking divulgado pela revista Modern Casting em 2018, o Brasil ocupou o décimo lugar, tendo caído três posições nos últimos quatro anos.

Com a produção de fundidos praticamente estável, o número de colaboradores nas fundições está constante, totalizando 55.872 pessoas em março (+0,1% em relação ao mês anterior).
A produtividade do setor, por sua vez, está em 41,4 t/h.a.

Para Afonso Gonzaga, presidente da ABIFA, ainda é cedo para qualquer alteração da expectativa de crescimento de 7% do setor em 2019. “Estivemos em Brasília em fevereiro, em reunião com a equipe do secretário Marcos Cintra, titular da Secretaria da Receita Federal. Na ocasião, fomos informados de que a desoneração da folha de pagamento de fato ocorrerá. Isso, associado à aprovação da Reforma da Previdência, que deve ocorrer nos próximos meses, certamente dará novo fôlego ao empresariado brasileiro, em especial à indústria de fundição e mercados correlatos”, conclui.

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