Análise Econômica, Política & Social
12 DE abril DE 2018 - 19:52

Incertezas dificultam a recuperação da economia

Diante das incertezas em relação às eleições e ao ajuste das contas públicas, a CNI – Confederação Nacional da Indústria – mantém as previsões que apontam para um moderado desempenho da economia brasileira neste ano.

A estimativa é que o Produto Interno Bruto (PIB) do país crescerá apenas 2,6% e o PIB industrial terá expansão de 3% neste ano. Os investimentos aumentarão 4% e, o consumo das famílias, 2,8%. A taxa média de desemprego ficará em 11,8%, diz o Informe Conjuntural do primeiro trimestre, divulgado neste dia 12 de abril.

O relatório destaca que, mesmo com o cenário externo favorável, a queda da inflação e a redução dos juros, o ritmo de recuperação da economia é moderado e o país não conseguirá recuperar, no médio prazo, as perdas causadas pela recessão. “Mesmo com o crescimento de 1% do PIB em 2017, ainda estamos com renda per capita 8,2% menor que em 2014 e a produção industrial, no início de 2018, situa-se ainda 14% abaixo do seu pico observado em 2013”, indica o Informe Conjuntural.

Segundo Flávio Castelo Branco, gerente executivo de Política Econômica da CNI, “a recuperação macroeconômica poderia ser mais intensa em 2018, tanto no consumo como nos investimentos, não fosse a lentidão do quadro de ajustes e reformas”.

Na avaliação do Informe, a principal causa da fraca reação da economia é a indefinição sobre o ajuste permanente das contas públicas. Além do adiamento da reforma da Previdência, a falta de definição do quadro eleitoral é outra fonte de incertezas sobre o ajuste fiscal. “A Previdência é o principal, mas não é o único elemento de preocupação com a expansão contínua dos gastos públicos. Medidas de disciplinamento dos gastos com pessoal são igualmente indispensáveis”, alerta a CNI.

O documento adverte ainda que o grande desafio do Brasil é aumentar a produtividade. Isso requer, entre outras medidas, o equilíbrio fiscal, a reforma da Previdência, a reforma tributária, disponibilidade de financiamento de longo praz, redução da burocracia, segurança jurídica e modelos de regulação eficientes.

Outras previsões da CNI

Inflação: O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará o ano em 3,7% ao ano, abaixo do centro da meta de 4,5% estabelecida pelo Banco Central. “A inflação deve permanecer em níveis baixos em 2018, em função da ainda alta ociosidade da economia, da elevada taxa de desemprego e da quebra da inércia inflacionária ocorrida em 2017”, diz o Informe Conjuntural.

Juros: Com a inflação baixa, os juros básicos da economia permanecerão no menor patamar da história. A taxa Selic chegará ao fim de 2018 em 6,25% ao ano e a taxa real de juros será de 3%.

Contas públicas: O déficit primário do setor público deve alcançar R$ 152,7 bilhões, o equivalente a 2,19% do PIB. “Apesar de estar abaixo da meta de R$ 161,3 bilhões, fixada para este ano, o déficit será maior do que os R$ 110,6 bilhões registrados em 2017”, afirma o relatório da CNI.  A dívida pública atingirá 73,7% do PIB.

Saldo comercial: O Brasil terá um superávit comercial de US$ 58 bilhões neste ano, resultado de exportações de US$ 230 bilhões e importações de US$ 172 bilhões.

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