Reflexões da Redação
7 DE janeiro DE 2019 - 8:25

Governo deveria adotar o ‘quiet period’

Reflexão dos editores deste portal

A expressão ‘quiet period’, originária do mercado norte-americano, refere-se a um determinado período de silêncio adotado por corporações, especialmente por aquelas têm papéis nas bolsas, para que sejam evitados vazamentos que tragam prejuízos generalizados a investidores e à sociedade em geral.

As organizações utilizam a medida na época de elaboração dos seus balanços anuais, não dando entrevistas ou fazendo pronunciamentos, para que não ocorram especulações ou desvirtuamentos antes da publicação oficial.

Transportando esta prática empresarial para o atual momento do Brasil, de chegada do novo governo ao Planalto, seria interessante que o presidente da República, seus familiares e os ministros e secretários das equipes de formulação das propostas, principalmente as de cunho econômico, decretassem o período de silêncio, evitando informações desencontradas, como as registradas nos primeiros dias do ano, que só servem para confundir a opinião pública.

As mais recentes ‘cabeçadas’ sobre o aumento do IOF – Imposto Sobre Operações Financeiras – e a redução da tarifa do Imposto de Renda, além das idades mínimas para a aposentadoria de mulheres e homens, têm trazido agitação momentânea (até o desmentido) em segmentos da sociedade, que aguardam ansiosamente medidas que contribuam para o crescimento e o desenvolvimento do país.

Em nossa leiga opinião, o momento exige que sejam divulgadas informações efetivas somente após um amplo debate e consenso entre os especialistas e ministros empossados, para que não haja necessidade de sair correndo – como ocorreu – para desfazer o ‘ato falho’.

Sobre o IOF, quem correu foi o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, para dizer que Bolsonaro se equivocou ao dizer que haverá aumento da alíquota. Ele afirmou que não existe nenhum aumento previsto.

A respeito do Imposto de Renda – que o presidente disse que cairia de 27,5% para 25% – Onix disse que o corte é apenas uma ideia e que não existe prazo para ser implementado. Segundo ele, só haverá qualquer alteração no Brasil a partir do momento em que for atingido o equilíbrio fiscal. Também o secretário especial de Receita Federal, Marcos Cintra, negou as medidas anunciadas e afirmou que deveria ter ocorrido alguma confusão na afirmação do presidente.

Justificando a fala de Bolsonaro sobre a reforma da Previdência, o ministro Onix afirmou que o presidente quis dar tranquilidade para as pessoas e que não vai haver ruptura. Ele destacou que o que vai acontecer é uma transição lenta e gradual, preservando o direito das pessoas.

Neste contexto, seria recomendável que o presidente – que é quem mais tem divulgados notícias infundadas – fizesse como fez durante a campanha eleitoral, quando deixava claro que quem trataria dos assuntos relacionados à economia era Paulo Guedes, hoje seu ministro da Economia.

Ou seja, para o bem de todos e felicidade geral, sugerimos – se é que podemos – que seja adotado o ‘quiet period’, pelo menos até a conclusão das medidas efetivas do programa de Governo.

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