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19 DE abril DE 2019 - 20:24

Embrapa chega aos 46 anos pronta para novos desafios

Nas últimas quatro décadas, a Embrapa contribuiu para que o Brasil aumentasse em cinco vezes a produção de grãos – em 240% a produção de trigo e milho, 315% a produção de arroz, sem contar a elevação da produtividade do setor florestal em 140%, e o triplo do setor cafeeiro. Daqui pra frente a expectativa é ainda maior. Maturidade tecnológica, inovação aberta, parcerias e proximidade com o setor produtivo são conceitos que a Empresa trabalha para avançar.

Criada para – por meio da ciência – revolucionar a forma de produzir alimentos no País, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) completa 46 anos nesta sexta-feira, 26, em plena era de transformações. O momento é de se reinventar, atuar não apenas para aumentar a produção científica e as entregas imediatas para a sociedade, mas também prospectar cenários e oportunidades que permitam ajudar a construir o futuro da agropecuária nacional.

Em 2018, para cada R$ 1,00 aplicado na Empresa, foram devolvidos R$ 12,16 para a sociedade – um lucro de R$ 43,52 bilhões gerado a partir do impacto econômico no setor agropecuário de apenas 165 tecnologias e cerca de 220 cultivares geradas pela pesquisa. Entre 2016 e 2018, quantitativamente, o empenho da ciência no desenvolvimento de novas tecnologias, produtos e serviços superou a marca de duas mil inovações que estão deixando marcas e repercutindo positivamente em inúmeros segmentos.

E não por coincidência, a Embrapa está na liderança da produção científica do ranking das instituições não acadêmicas do País e entre as dez primeiras com o maior nível de produtividade, de acordo com o Balanço Social 2018, o estudo que reflete qualitativa e quantitativamente o que representa a Empresa no cenário do agro nacional.

Ciência para todos

Com o suporte de 9.469 empregados, dos quais 2.405 pesquisadores e cerca de 600 laboratórios, que trabalham não só com a agenda da produção agropecuária, mas com o apoio no fornecimento de subsídios à formulação de políticas públicas, a Empresa tem procurado responder à crescente expectativa da sociedade sobre a instituição de pesquisa.

O presidente da Empresa, Sebastião Barbosa, avalia que grande parte da pobreza brasileira está no meio rural, e, por isso um dos grandes desafios é dedicar ainda mais atenção ao setor. “E isso sem perder de vista que a competitividade do agro brasileiro precisa continuar dando saltos de qualidade para manter essa condição invejável que o Brasil conquistou”, diz, ressaltando que há necessidade de trabalhar sem distinções para o grande, o pequeno, o orgânico, o transgênico, a agricultura familiar, a empresarial.

“A Embrapa não impõe tecnologias – ela as disponibiliza e o mercado é quem as regula. Produzimos as ferramentas”, comenta o presidente. “Conhecendo as demandas do setor, a gente tem soluções que melhor se adaptam às necessidades do produtor, do consumidor e do mercado. É um processo dinâmico ao qual estamos muito atentos”.

Gestão Integrada

A diretora executiva de Gestão Institucional, Lucia Gatto, reconhece o tamanho do desafio que a Embrapa possui. “Precisamos ampliar os resultados positivos também reduzindo o custo de operação”, diz. “As melhorias incluem não apenas a gestão de pessoas, máquinas e sistemas, mas todas as áreas funcionais da empresa”.

A necessidade de redução da dependência do orçamento público é um fato. Na opinião da diretora, a Embrapa precisa ter acesso a novos modelos de financiamento, como os fundos patrimoniais. “Assim será possível promover relações mais seguras e atrativas para a ampliação de parcerias e a captação de investimentos do segmento produtivo”, explica.

Protagonismo científico

O que elevou a Embrapa a uma instituição de pesquisa referência na ciência agropecuária nacional foi o protagonismo. É o que explica o diretor de Inovação e Negócios da Empresa, Cleber Soares, complementando que que no dia a dia do brasileiro dificilmente não está presente alguma contribuição gerada nos laboratórios e campos experimentais da Embrapa.

Ele cita exemplos: no café da manhã, o brasileiro, ao consumir um pão, talvez não saiba que mais de 65% da cadeia de trigo no Brasil são parceiros diretos da Embrapa (e muitos ativos derivados das tecnologias desenvolvidas pela Empresa). Já o leite tem origem provavelmente no sistema intensivo e semi-intensivo desenvolvido pela Embrapa.

Um cafezinho no meio da manhã tem tecnologia desenvolvida pelo Consórcio Brasileiro do Café liderado pela Embrapa. Almoço com carne? Mais de 90% da forrageiras tropicais que levam a um bom bife são produzidas pela Embrapa. E mesmo, ao tomar um copo de cerveja no fim do expediente, o cidadão consome tecnologia Embrapa, hoje presente em 85% das cultivares de cevada cultivadas no Brasil.

“Nas principais cadeias produtivas do agronegócio é possível enumerar a sua participação no desenvolvimento de ativos tecnológicos, por meio de produtos, processos, de serviços e na formulação de políticas públicas que impactaram os diferentes setores do agro”, diz o diretor.

No setor de grãos, na pecuária, no setor de florestas plantadas, no desenvolvimento de sistemas integrados de produção, como a Integração lavoura-pecuária-floresta, na construção de soluções para políticas públicas, na área de fitozoosanidade das principais cadeias produtivas, na contribuição ativa nos planos nacionais de Floresta Plantada, de Feijão e Pulses, de Fruticultura, de Pecuária de Corte e de leite, a Empresa é, segundo ele, referência pelo conhecimento gerado pela ciência.

Cleber Soares destaca o lançamento, durante o aniversário da Embrapa, da página de negócios no portal da Empresa. Ali estarão disponíveis, de forma aberta, os ativos em desenvolvimento e a evolução de cada um para que os interessados em investir e cooperar no desenvolvimento das tecnologias possam manifestar sua intenção.

Outra iniciativa é o projeto Pontes para a Inovação. Com ele, novas possibilidades de parceria são abertas. Investidores e parceiros têm a oportunidade de concorrer por meio de chamadas públicas para atuar com ativos da Empresa em nível de maturidade inicial. Nesse modelo de ambiente de inovação, o parceiro aporta recursos e a Embrapa recebe no desenvolvimento e depois quando vai para o mercado.

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