Análise Econômica, Política & Social
27 DE abril DE 2018 - 13:10

Desindustrialização: Brasil paga muito caro por produtos químicos importados

O déficit acumulado da balança comercial de produtos químicos atingiu US$ 5,6 bilhões no primeiro trimestre do ano. O valor representa um aumento de 12,5% em relação ao mesmo período de 2017. No primeiro trimestre de 2018, as importações de produtos químicos foram de US$ 9 bilhões, uma elevação de 9,1% em relação ao mesmo período de 2017. Já as exportações, de US$ 3,4 bilhões, apresentaram acréscimo de 3,9% na mesma comparação.

Apesar da recente queda das importações de intermediários para fertilizantes, respectivamente de 33,7% em quantidades e de 25,4% em valor, os intermediários para fertilizantes foram o principal item da pauta de importação de produtos químicos, com compras de US$ 1,2 bilhão e de 4,5 milhões de toneladas no primeiro trimestre. Os preços médios desses produtos subiram 12,5%, exatamente no momento em que foi anunciada a possibilidade de hibernação de duas fábricas de fertilizantes no País.

No primeiro trimestre do ano, o volume das importações de produtos químicos, foi de 8,5 milhões de toneladas, uma redução de 21,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Mas a redução no volume de produtos importados, puxada pela queda dos intermediários para fertilizantes, não altera a perspectiva de US$ 25 bilhões de déficit na balança comercial de produtos químicos, pois os preços médios dos importados são superiores em expressivos 40% na comparação com o mesmo período do ano passado.

“A dependência por importações no segmento deixou o País vulnerável às flutuações do câmbio e dos preços. É preciso que o Governo proporcione condições para o produto nacional competir no próprio mercado interno e retome a participação do que hoje é importado sobre o consumo nacional”, afirma o presidente-executivo da Abiquim – Associação Brasileira da Indústria Química -, Fernando Figueiredo.

Segundo o executivo, no caso dos intermediários para fertilizantes o Brasil tem reservas de fósforo e de potássio, matérias-primas para a produção de fertilizantes fosfatados e potássicos, com elevado potencial para serem exploradas. “É inaceitável esse escorchante nível de dependência externa de insumos tão estratégicos como os fertilizantes, sobretudo em se considerando as reservas nacionais, para um país que se projeta como o principal garantidor da segurança alimentar mundial”, explica.

“Com a descoberta do pré-sal, a oferta de gás natural, o insumo básico para a produção de nitrogenados (amônia-ureia), tem que ser ampliada. Se o Brasil souber aproveitar o potencial de petróleo e gás do pré-sal poderá se tornar um grande exportador de produtos químicos na próxima década. Para isso também são necessários investimentos em logística, além de formulação de políticas que solucionem impasses regulatórios, tecnológicos, tributários e ambientais”, afirma.

Nos últimos 12 meses (abril de 2017 a março de 2018), o déficit da balança comercial totaliza US$ 24,1 bilhões. As resinas termoplásticas, com vendas externas de US$ 517,5 milhões no primeiro trimestre, foram o grupo mais exportado, mas com uma redução de 15,5% em relação ao mesmo período de 2017. Em março, especificamente, as importações de produtos químicos chegaram a US$ 3 bilhões, um aumento de 2,8% em relação a fevereiro. As exportações, de US$ 1,2 bilhão, registraram elevação de 9,6% em igual comparação.

“Os resultados da balança comercial de produtos químicos no primeiro trimestre deste ano são preocupantes, pois, em praticamente todos os grupos de produtos acompanhados observam-se aumentos superiores a 15%, em média, no valor importado, produtos importados caros estão tomando o espaço que poderia ser ocupado pelo produto nacional nesse momento de recuperação econômica”, destaca.

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