Reflexões da Redação
Carta Dilma

O mais do mesmo

Lendo a carta de Dilma Rousseff, conclui-se que ela não apresentou qualquer novidade em sua defesa no processo de impeachment. Foi a mesma ladainha de sempre. Falou de Constituição, de democracia, de política e de reformas, mas esqueceu de dizer que o partido ao qual pertence está no poder desde 2003 e nada fez para corrigir o que precisava ser corrigido. Optamos por destacar da carta apenas o trecho em que afloram o imobilismo e a incompetência de um governo que nada fez de real para o desenvolvimento do país. Dilma sugere na carta: “Gerar mais e melhores empregos, fortalecer a saúde pública, ampliar o acesso e elevar a qualidade da educação, assegurar o direito à moradia e expandir a mobilidade urbana são investimentos prioritários. Ora, ora! Não é isso que a sociedade organizada e o setor produtivo vêm pedindo há pelo menos uma década? Hoje já são quase 12 milhões de desempregados. Saúde, Educação e Moradia continuam jogadas às traças. Pouco afeita aos diálogos, fugiu dos empresários e evitou debater com o Congresso. Resultado disso foi, entre outros, o agravamento da crise, o rombo no orçamento da União, a quase destruição da Petrobras - usada por corruptos e corruptores -, a queda da produção industrial e o fechamento de portas. [clique no título e lei a íntegra]

Esperança

A recuperação vai começar

A economia, a produção industrial, o comércio e os serviços não suportam mais. O fundo do poço chegou faz tempo, e nele já não cabe mais tanta gente desempregada e sem esperança. Tudo ficou mais nebuloso a partir de 12 de maio. O afastamento da presidente Dilma e o longo processo de impeachment estabeleceram um duplo comando no governo. Este fato, aliado à inatividade parcial do Congresso Nacional, tem gerado instabilidade geral no país. Neste período, o número de desempregados cresceu, a produção industrial continuou amargando índices negativos, o comércio prosseguiu vendo portas se fecharem, os novos negócios e investimentos tentam deixar a estagnação e a desconfiança internacional permanece. Entretanto, a esperança de se sair dessa posição deve começar a voltar em breve. Reforça essa possibilidade, a retomada, no último dia 10, do processo de impeachment da presidente afastada, quando o plenário do Senado decidiu transformá-la em ré para que seja julgada pelo crime de irresponsabilidade no cargo. Desta forma, se tudo correr bem com o rito processual, chegaremos ao mês de setembro com o governo Temer livre da incômoda interinidade e preparado para iniciar as mudanças necessárias e capazes para tirar o país da nefasta improdutividade. Clique no título e leia a íntegra

Olimpíada Pira

A Vida tem que imitar a Arte

Na há outra expressão que defina a festa de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro: ma-ra-vi-lho-sa!!! Recheada de conteúdo histórico, mostrou a origem da vida e da humanidade, os primórdios no Brasil, os indígenas, a chegada dos colonizadores, a escravidão, a devastação das florestas e a degradação da Terra. A festa fez o mundo assistir a um grande puxão de orelhas e uma impressionante aula sobre o que estamos fazendo com nosso planeta, culminando com o risco iminente de elevação do nível dos oceanos, provocado pelo aquecimento global. Com gestos simples, o Brasil - por meio da refinada Arte dos organizadores - mandou seu recado aos sete bilhões de habitantes do planeta Terra: ou mudamos agora, ou morreremos todos engalfinhados. Que sirva de exemplo a todos e se espraie pelos diferentes segmentos da sociedade. Que a ganância, a inconsequência, a corrupção e a falta de ética não prejudiquem ainda mais a humanidade. Os ensinamentos da festa olímpica exigem que os governantes mudem suas posturas e adotem medidas eficazes, cuidando bem dos seus cidadãos e das emissões de poluentes. Caso contrário, não haverá futuro para ninguém.

Decisão setas

Agosto, o mês das decisões

Neste mês de agosto, viveremos os derradeiros embates no Congresso Nacional dos processos de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff e da cassação do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Para alguns, pode não haver a clara compreensão de quão importantes são essas duas providências. E a resposta é simples: os dois processos estão travando o país de maneira inconcebível e inaceitável. Os debates políticos, na Câmara e no Senado, não estão fluindo como devem, pois, vira e mexe, esbarram em questões menores que atrapalham o andamento das votações nas duas casas. O revanchismo velado entre os parlamentares superou o ambiente democrático, fundamental para a retomada do desenvolvimento. O mês de agosto será marcado, também, pelos Jogos Olímpicos. Além do clima de disputa por medalhas e de alegria, pairam no ar as questões da organização e da segurança. As últimas cenas sobre a vila olímpica inacabada não podem prevalecer. Fica, portanto, a torcida para que tudo corra bem e que a imagem do Brasil não seja ainda mais maltratada como tem sido no campo da politica e da economia. Que agosto não seja o mês do desgosto.

Muralha da China

O caixa 2 e a Muralha da China

Em seu depoimento à Justiça Federal no último dia 21, o marqueteiro João Santana disse que “se todos que já foram remunerados com caixa 2 no Brasil fossem tratados com o mesmo rigor que eu, era para estar aqui, atrás de mim, uma fila de pessoas que chegaria a Brasília. Uma muralha humana capaz de concorrer com a Muralha da China”. Da existência de caixa 2, todo mundo sabia, porém o que não se conhecia era o tamanho dessa prática ilegal. Agora, pela comparação do conhecedor João Santana, ficamos sabendo que, se forem colocados em uma fila todos os praticantes ou beneficiários de caixa 2, teremos uma coluna de mais de 8 mil quilômetros de brasileiros. Ele diz também que 98% das campanhas eleitorais utilizam caixa 2. Sobre a muralha da China, sabe-se que levou quase 2 mil anos para ser construída e hoje é reconhecida como uma das sete maravilhas do mundo. Usando a mesma analogia de Santana, diferente da Muralha, que deve ser preservada e reverenciada por sua história, imponência e beleza, as práticas ilegais, como o inaceitável caixa 2, não devem se perpetuar, pois destroem os valores éticos de uma sociedade, principalmente, a de políticos que se locupletam e quase nada devolvem ao país.

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As Olimpíadas e o terror

O abominável ataque terrorista do dia 14, em Nice, na França, está mexendo com a cabeça dos organizadores dos Jogos Olímpicos 2016, que reunirão no Rio mais de 10 mil atletas e dirigentes de cerca de duas centenas de países, além de um batalhão de jornalistas. Serão vinte dias de intensa movimentação em aeroportos, portos e, também, nas fronteiras secas do Brasil, o que já está aumentando a preocupação das autoridades sobre a segurança. Aí começaram a surgir problemas. Descobriu-se que o Rio não se preparou para acomodar tantos agentes de segurança vindos de outros estados, que estão se instalando num conjunto residencial inacabado. Não havia colchão, geladeira, fogão, chuveiro e nenhuma facilidade de comunicação nas unidades, deixando transparecer a precariedade da cidade maravilhosa para receber com segurança os visitantes. É importante que se equacione tudo nos próximos dias, pois o que está em jogo neste evento é a imagem do Brasil. Assim, será um grande feito se o país conseguir chegar ao final dos jogos sem registros que suscitem a falta de segurança ou desorganização, e que a única batalha que tenhamos que enfrentar seja pela conquista de medalhas pelos nossos atletas.

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