Reflexões da Redação
Tia Eron

Como Tia Eron vai votar?

Esta será mais uma semana de embates e ações protelatórias, daquelas que estão levando as empresas e o povo brasileiro à desconfiança novamente. Se, num primeiro momento, a posse de Michel Temer como presidente interino trouxe um alento ao país, parece que, passados 30 dias, infelizmente, pouco se caminhou nesta direção. Isto seria compreensível, pois é humanamente impossível alguém apresentar resultados num prazo tão exíguo. Porém, neste curto período seu governo se envolveu em situações que, certamente, não previa. A semana será agitada na Câmara, onde o Conselho de Ética tenta encaminhar a cassação de Eduardo Cunha, cujo desfecho poderá solucionar - ou não - mais um aspecto que está travando o dia a dia do país. A votação está estacionada em 10 a 9 em favor de Cunha, faltando apenas o voto da deputada Tia Eron, que já falou com muita gente, mas, assustada, continua calada. Atitudes como essa são típicas de alguém que não tem opinião própria e que está seguindo orientação do seu partido.

Câmara

O risco chamado “baixo clero”

Conta a história que a expressão “baixo clero” foi cunhada por Ulisses Guimarães, à época do processo de redemocratização do país, para identificar deputados que tinham pouca participação nos debates da Câmara Federal, circulando pelos bastidores atrás de assuntos de seus interesses. Nos períodos de pouca atividade no Congresso, podem até considerar normal essa situação, porém, num momento decisivo para o país, corre-se o risco desses parlamentares mudarem de opinião, cooptados pelos mais preparados e envolvidos diretamente nas discussões, tanto na Câmara, com a possível cassação do deputado Eduardo Cunha, como no Senado, com a votação do impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff. Em ambos os casos, as margens são muito estreitas, e já se ouvem manifestações que deixam as pessoas arrepiadas. Em qualquer das situações viveremos um retrocesso. Tudo o que foi feito até agora para moralizar e devolver o país aos trilhos da normalidade poderá ir por água abaixo e os brasileiros não merecem isso.

Não Ouço

O estupro e a degradação da sociedade

As estatísticas frias dizem que a cada onze minutos acontece um caso de estupro no Brasil. Isso é assustador, mas, ao mesmo tempo, representa muito pouco, pois só levam em conta o que é denunciado ou relatado. Um que fosse, já deveria ser motivo de grande revolta, visto que não se pode admitir crimes hediondos como o que envolveu uma jovem carioca, violentada por mais de trinta homens (se é que podem ser chamados assim). É a degradação de uma sociedade que é estuprada diariamente com notícias de propinas, corrupção, impunidade, desvios de verbas públicas, ausência do Estado na saúde, na educação, na segurança e, principalmente, no respeito com os cidadãos. O Brasil - acreditamos - está, hoje, tentando mudar essa história e, neste contexto, a operação Lava Jato tem que ser apoiada a chegar às últimas consequências, levando à prisão todos aqueles que estupraram e estupram o país.

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A face negativa das redes sociais

As comunicações entre pessoas, empresas e instituições atingiram novas dimensões com o aprimoramento dos serviços da internet. As informações ganharam velocidade e passaram a atingir destinos jamais imagináveis, em função da capilaridade da rede mundial de computadores. Tudo ficou ainda melhor com a chegada dos smartphones (no final deste mês, serão 168 milhões em uso no Brasil - notebooks, tablets e PCs serão 160 milhões, diz a FGV), que trazem o mundo às mãos dos usuários e oferecem acesso a uma infinidade de serviços e aplicativos, além de facilitar a navegação nas redes de relacionamentos, as chamadas redes sociais. É justamente neste ponto que se estabelecem as diferentes faces das redes de relacionamento: usadas positivamente por grande parte dos internautas e negativamente por outros tantos. O recente episódio da apresentadora Ana Hickmann deveria servir de reflexão e alerta para as pessoas de boa fé que, ingenuamente, expõem detalhes e fotos de suas vidas, abrindo espaço para a ação de verdadeiros criminosos.

manifestações

Uma resposta a Gregorio Duvivier

"Duvivier, entendo sua revolta. Quem disse que o povo não está nas ruas? Está, sim, com currículo embaixo do braço procurando emprego. O povo quer paz, quer tocar a vida. O PT já conseguiu o que queria: convencer sua militância a entoar esse blá-blá-blá de golpe". Esta foi a mensagem de Maria Regina, coordenadora deste portal, publicada no jornal Folha de S. Paulo (carta do leitor do dia 17 de maio), em resposta ao artigo “Faltou combinar com os russos” de Gregorio Duvivier, o articulista das segundas-feiras do caderno Ilustrada daquele periódico, onde ele trata, entre outras coisas, da atual ausência dos manifestantes favoráveis ao impeachment nas ruas.

Young businessman with hands on back of his head worried because of business failure

PIB para 2016 tem nova queda

Ainda é prematuro fazer qualquer previsão sobre como serão os próximos meses para a economia brasileira, agora administrada pelo governo interino do presidente Michel Temer. Porém, mal ocorreu a mudança e o boletim Focus/BC, já chega com mais uma perspectiva de retração do PIB para 2016. Na semana passada, quando ainda não havia ocorrido a decisão do Senado pela admissibilidade do processo de impeachment, os economistas consultados previam que o PIB deste ano apresentaria queda de 3,86%. Hoje, o mercado piorou sua expectativa para 3,88%. Nesta mesma pesquisa, os analistas mantiveram as previsões para a inflação (em 7% - ainda acima do teto da meta), para a taxa de juros (13%) e para o dólar (R$ 3,70). Provavelmente, no boletim da semana que vem o mercado terá uma avaliação melhor, que, certamente, servirá de balizador para o novo governo.

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