Reflexões da Redação
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Agosto, o mês das decisões

Neste mês de agosto, viveremos os derradeiros embates no Congresso Nacional dos processos de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff e da cassação do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Para alguns, pode não haver a clara compreensão de quão importantes são essas duas providências. E a resposta é simples: os dois processos estão travando o país de maneira inconcebível e inaceitável. Os debates políticos, na Câmara e no Senado, não estão fluindo como devem, pois, vira e mexe, esbarram em questões menores que atrapalham o andamento das votações nas duas casas. O revanchismo velado entre os parlamentares superou o ambiente democrático, fundamental para a retomada do desenvolvimento. O mês de agosto será marcado, também, pelos Jogos Olímpicos. Além do clima de disputa por medalhas e de alegria, pairam no ar as questões da organização e da segurança. As últimas cenas sobre a vila olímpica inacabada não podem prevalecer. Fica, portanto, a torcida para que tudo corra bem e que a imagem do Brasil não seja ainda mais maltratada como tem sido no campo da politica e da economia. Que agosto não seja o mês do desgosto.

Muralha da China

O caixa 2 e a Muralha da China

Em seu depoimento à Justiça Federal no último dia 21, o marqueteiro João Santana disse que “se todos que já foram remunerados com caixa 2 no Brasil fossem tratados com o mesmo rigor que eu, era para estar aqui, atrás de mim, uma fila de pessoas que chegaria a Brasília. Uma muralha humana capaz de concorrer com a Muralha da China”. Da existência de caixa 2, todo mundo sabia, porém o que não se conhecia era o tamanho dessa prática ilegal. Agora, pela comparação do conhecedor João Santana, ficamos sabendo que, se forem colocados em uma fila todos os praticantes ou beneficiários de caixa 2, teremos uma coluna de mais de 8 mil quilômetros de brasileiros. Ele diz também que 98% das campanhas eleitorais utilizam caixa 2. Sobre a muralha da China, sabe-se que levou quase 2 mil anos para ser construída e hoje é reconhecida como uma das sete maravilhas do mundo. Usando a mesma analogia de Santana, diferente da Muralha, que deve ser preservada e reverenciada por sua história, imponência e beleza, as práticas ilegais, como o inaceitável caixa 2, não devem se perpetuar, pois destroem os valores éticos de uma sociedade, principalmente, a de políticos que se locupletam e quase nada devolvem ao país.

Rio2016_AO

As Olimpíadas e o terror

O abominável ataque terrorista do dia 14, em Nice, na França, está mexendo com a cabeça dos organizadores dos Jogos Olímpicos 2016, que reunirão no Rio mais de 10 mil atletas e dirigentes de cerca de duas centenas de países, além de um batalhão de jornalistas. Serão vinte dias de intensa movimentação em aeroportos, portos e, também, nas fronteiras secas do Brasil, o que já está aumentando a preocupação das autoridades sobre a segurança. Aí começaram a surgir problemas. Descobriu-se que o Rio não se preparou para acomodar tantos agentes de segurança vindos de outros estados, que estão se instalando num conjunto residencial inacabado. Não havia colchão, geladeira, fogão, chuveiro e nenhuma facilidade de comunicação nas unidades, deixando transparecer a precariedade da cidade maravilhosa para receber com segurança os visitantes. É importante que se equacione tudo nos próximos dias, pois o que está em jogo neste evento é a imagem do Brasil. Assim, será um grande feito se o país conseguir chegar ao final dos jogos sem registros que suscitem a falta de segurança ou desorganização, e que a única batalha que tenhamos que enfrentar seja pela conquista de medalhas pelos nossos atletas.

Câmbio

“Inflação aleija, mas câmbio mata”

A frase histórica, cunhada pelo ex-ministro Mário Henrique Simonsen, é repetida até os dias de hoje, pois diz respeito à atual preocupação da indústria brasileira, que se vê prejudicada com a volta da valorização do Real em relação ao Dólar americano. A preocupação aumenta nesta fase em que o Brasil vive - apesar da esperança de melhora -, uma grave crise que atinge diretamente o segmento industrial, que tem apresentado queda de produção e baixa perspectiva de retomada de competitividade. Diversas entidades de representação das indústrias têm manifestado preocupação. A Abimaq diz que o câmbio abaixo de R$/US$ 3,80 coloca em risco este início de recuperação e desestimula o setor produtivo a brigar no mercado externo. A Abinee afirma que se a indústria tem na exportação uma de suas poucas válvulas para diminuir a ociosidade, a constante oscilação cambial põe em xeque sua capacidade de competir. Neste contexto, a criação de condições para manutenção da taxa de câmbio em um patamar competitivo e estável, pode garantir a integração do país à economia mundial, antes que a indústria morra.

Cofrinhos

Essa história de vaquinha

A campanha de Dilma para angariar fundos para viajar pelo país com seu séquito - com o objetivo de dizer que impeachment é golpe - é mais uma mostra de como os políticos não põem a mão no bolso por nada deste mundo. Em setembro passado, o deputado Osmar Terra (hoje ministro do desenvolvimento social) pediu reembolso de R$ 26,00 por ter comprado pipoca e refrigerante em um cinema de Brasília. Considerando isso, se Dilma usasse recursos próprios, estaria contrariando a prática da classe política, que já vive muito bem à custa do povo com todas as despesas pagas. Como o PT e seus correligionários não puseram a mão no bolso, o mais fácil foi abrir uma conta em nome de duas amigas para arrecadar fundos por intermédio de uma ação entre amigos, mais conhecida como vaquinha. Em dois dias, a campanha atingiu a marca de R$ 500 mil, depositados por 7.400 pessoas, o que dá - se fizemos bem a conta - uma média de R$ 6,75 por pessoa. Será que Dilma está feliz com o resultado? Não interessa. O que interessa é que, mais uma vez, um político faz uso do pobre povo brasileiro para pagar suas despesas e, com a sobra, possivelmente abastecer sua conta bancária. Um verdadeiro escárnio.

Reações Internacionais

Brexit na visão de um leigo

Lendo e relendo as diversas opiniões de economistas, políticos e especialistas para tentar entender quais serão os reflexos para o Brasil da decisão dos britânicos de afastar a Grã Bretanha da União Europeia, chega-se à conclusão de que, neste momento - ou nos próximos cinco anos - nada vai mudar. E não vai mudar pelo simples fato de o Brasil não estar preparado para um movimento dessa magnitude. Ou seja, não vamos conseguir tirar proveito comercial tão cedo desta separação. Neste contexto, fica evidente que, antes de pensarmos se vamos conseguir melhorar nossas relações com o Reino Unido (que viverá seu inferno astral nos próximos anos) e com a União Europeia (que deverá continuar com as portas e porteiras fechadas), temos que fazer o dever de casa. Primeiro, aplacar de vez a corrupção que campeia o meio político e empresarial brasileiro, apoiando operações como a Lava Jato. Depois, reorganizar nossas instituições, recuperar a confiança interna e externa, estabelecer critérios para o desenvolvimento, abrir as portas para o mundo e investir em atividades que, de verdade, tragam retorno ao nosso povo. Esta é a opinião de um leigo.

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