Reflexões da Redação
30 DE dezembro DE 2019 - 8:18

Brasileiro, profissão esperança

Reflexão dos editores deste portal

Uma coisa é certa: nunca foi fácil administrar o Brasil. De tempos em tempos, a situação fica complicada do ponto de vista da política ou da economia. Quando um segmento vai bem o outro tropeça. É difícil afirmar, portanto, que em algum momento da nossa história os dois andaram juntos.

Alguns podem dizer que isso teria ocorrido na época de Juscelino, ou em determinada fase dos militares, ou em parte do governo Fernando Henrique. Nos demais instantes, a maquiagem correu solta e/ou a corrupção corroeu quase tudo, impedindo o desenvolvimento sustentado do Brasil.

Em nossa leiga avaliação, o atual momento repete muito os defeitos históricos, visto que o Executivo e o Legislativo não se entendem.

Felizmente, apesar dessa distensão, algumas reformas tiveram êxito e outras devem ser votadas neste novo ano. Em verdade, a demora nas aprovações tem prejudicado, por exemplo, novos investimentos e privatizações, provocando dificuldade de participação das empresas no processo de crescimento do país.

Recente publicação da Folha de S. Paulo mostra que, em 2019, o Congresso somente aprovou uma em cada três medidas apresentada pelo ministro Paulo Guedes. Segundo o levantamento, o ministério enviou 38 medidas de interesse do país, entre Projetos de Lei, Propostas de Emenda Constitucional e Medidas Provisórias, porém apenas treze foram aprovadas.

O estudo destaca que o índice de aprovação das propostas de Guedes é a mais baixa entre ministros da área econômica em inícios de governo. Isso é péssimo para um país que tem pressa e que precisa descontar tudo de mal que se fez por aqui, pelo menos nos últimos dezesseis anos.

A recente polarização política entre direita e esquerda atrapalhou mais ainda a possibilidade de o país retomar o desenvolvimento e devolver a seus cidadãos tudo que foi tomado ao longo do tempo como emprego, educação, saúde, moradia, segurança, infraestrutura e muito mais.

É óbvio que se o atual presidente da República fosse menos agressivo com parlamentares (até mesmo de seu partido), veículos de comunicação e, em particular, com a imprensa, a situação poderia ser bem melhor hoje. Além disso, poderia ter resolvido no nascedouro as questões familiares, evitando muito o disse-me-disse que reverbera facilmente nas mídias.

Ou seja, se tivesse buscado, desde sua posse, o entendimento com o parlamento – do qual fez parte durante longos 28 anos -, provavelmente o cenário atual seria bem diferente.

É importante citar que, a nosso ver, os deputados e senadores poderiam ter dado uma ‘mãozinha’, exercendo a democracia plena tão buscada pelos cidadãos e sendo mais céleres nas análises e votações. É para isso que foram eleitos, não é?

Logo após as últimas eleições, os brasileiros acreditaram que, com a renovação de mais de 50% do Congresso, tudo seria mais fácil, porém, da forma como as coisas estão seguindo, nos parece que os nossos representantes – salvo exceções – estão querendo ver o circo pegar fogo.

Apesar de toda essa situação, e ainda bem que sempre há um apesar, o Brasil está conseguindo recuperar as bases econômicas, encerrando 2019 com um crescimento de pouco mais de 1%. Além disso, a inflação está sob controle e a Selic ostenta o menor patamar da história.

Se alguém acha pouco, é importante saber que se tratam de indicativos de que, a despeito da política e dos políticos, as medidas econômicas estão no caminho certo, se comparadas com os resultados dos últimos cinco anos.

Certamente, se forem aprovadas as urgentes reformas Tributária e Administrativa, que ainda estão na pauta, 2020 será um ano muito melhor.

É nisso que acreditamos, afinal somos brasileiros e nossa profissão será sempre esperança.

FELIZ 2020

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