Reflexões da Redação
3 DE julho DE 2018 - 0:32

Brasil, um país ladeira abaixo?

Reflexão dos editores deste portal

Cada dia que passa, a situação do Brasil assume contornos insustentáveis. Em pleno ano de eleições, quando a nação deveria estar mobilizada para um debate democrático pela retomada da estabilidade política e pelo crescimento econômico, o que se vê é justamente o contrário.

Os políticos – muitos envolvidos em corrupção e outros crimes – desapareceram das discussões no Congresso e agora, após as festas juninas, só têm se dedicado a acompanhar a Copa do Mundo e a visitar suas bases eleitorais, numa clara tentativa de conquistarem a reeleição. Ou seja, até o final do ano, nada mais se deve esperar dos deputados e senadores.

Triste sina de um país e de seu povo que tanto clamam por reformas fundamentais e urgentes na Saúde, Educação, Moradia, Previdência, Segurança, Infraestrutura – e em tudo mais – para que seja possível a retomada da empregabilidade e da vida digna.

De parte do Executivo, então, provavelmente nada mais vai acontecer. Um presidente fraco e sem liderança, sem apoio do Congresso e da população brasileira, dificilmente conseguirá tomar medidas fortes que possam mudar a atual situação.

Em verdade, estamos num mato sem cachorro, totalmente perdidos e rezando para 2019 chegar logo para que possamos nos ver livres de toda essa corja (com raríssimas exceções) que só se lambuza nas poucas aparições e manifestações.

Nem mesmo no Judiciário conseguimos confiar. Especialmente no STF, que, rachado, adotou um “prende e solta” que tem desorientado as pessoas sobre o que é certo ou errado. Ou seja, quando o processo cai na primeira turma, a decisão é uma. Porém, quando vai para a segunda turma, o resultado é por demais conhecido.

Se são onze guardiões da Constituição – que deveria ser aplicada e não interpretada -, fica difícil entender o motivo de tantas decisões antagônicas. A disparidade é tamanha que políticos condenados e presos fazem de tudo para que seus recursos caiam na turma que solta. Aliás, as rusgas entre os doutos ministros são repugnantes e intoleráveis.

Reflexo de tudo isso, resiste um país abandonado, aonde as empresas – tão importantes para o crescimento e desenvolvimento econômico – se vêm cada vez mais esquecidas e deixadas de lado do debate sobre o futuro da nação. Nos últimos tempos, têm lutado para não fechar as portas diante de tanta incerteza e insegurança para investir.

Os últimos números confirmam isso tudo, principalmente no setor industrial, o grande motor da economia do país. Dados recentes da Confederação Nacional da Indústria, CNI, apontam que o faturamento da indústria caiu 16,7% em maio na comparação com abril.

Segundo a entidade, a forte retração do faturamento foi provocada pela greve dos caminhoneiros, que fez agravar as dificuldades que a indústria tem encontrado para se recuperar da crise, revertendo os ganhos registrados desde outubro de 2016.

Além disso, a indústria enfrenta problemas com a baixa demanda, a alta ociosidade, dificuldades de financiamento e incertezas econômicas que prejudicam a atividade industrial no país. Não bastasse isso, os índices de expectativas e de confiança também mostram que não há perspectivas de reação do setor nos próximos meses.

Corrobora a situação a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos, Anfavea, que antecipou que as vendas de veículos terminaram o mês de junho abaixo do volume comercializado em maio, tendo como justificativa a greve dos caminhoneiros e as incertezas sobre as eleições, que geraram nos consumidores a perda de confiança para comprometer sua renda com a compra de bens duráveis, como os automóveis.

Também o setor calçadista revelou as dificuldades que as indústrias do setor enfrentam nos últimos meses, em função da redução no Reintegra que provocaram a queda nas encomendas para as exportações de outono e inverno. Como consequência, a Abicalçados informou que o saldo de empregos do ano, no mês de maio, registrou o fechamento de 3,9 mil vagas.

Neste contexto, as indústrias do setor eletroeletrônico fecharam 1.006 vagas em maio. Segundo a Abinee, esta é segunda queda consecutiva no nível de emprego do setor este ano, após um primeiro trimestre de alta. A entidade diz que o resultado reflete o arrefecimento no nível de confiança empresarial e dos consumidores, face ao momento de instabilidade política e econômica do país.

E essa situação da indústria se confirmou no último relatório do boletim Focus, do Banco Central, que indicou que a projeção para a produção industrial de 2018 caiu de alta de 3,50% para de 3,17%. Há um mês, estava em 3,80%. No caso de 2019, a estimativa de crescimento da produção industrial passou de 3,20% para 3,10%, ante 3,50% verificados quatro semanas antes.

Um último dado, talvez o mais preocupante, vem de economistas e analistas do mercado: o PIB do Brasil só crescerá 1,5% neste ano. Destacam que, envolvido em tantas indecisões e confusões, o país vive mais um período de incertezas, que deverá trazer reflexos diretos ao crescimento.

Para refletir: o Brasil está descendo a ladeira?

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