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14 DE novembro DE 2018 - 17:28

Brasil inaugura primeira etapa de um dos mais modernos aceleradores de elétrons do mundo

O presidente Michel Temer, ao lodo do ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, inaugurou a primeira etapa do Sirius, o novo acelerador de elétrons do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas/SP.

Iniciado em 2012, o Sirius é o maior projeto da ciência brasileira, uma infraestrutura de pesquisa de última geração, estratégica para a investigação científica de ponta e para a busca de soluções para problemas globais em áreas como saúde, agricultura, energia e meio ambiente. Será um laboratório aberto, onde as comunidades científica e industrial terão acesso às instalações de pesquisa.

“Este é o verdadeiro exemplo da união em favor de uma nação. Um projeto de Estado, que transcendeu governos e agora nos coloca na dianteira da ciência mundial. Feito totalmente por brasileiros, para o bem dos brasileiros. Tenho orgulho e me sinto honrado em participar”, disse Kassab.

Ele comparou a busca pelo conhecimento científico a uma corrida de automóveis, onde “cada ano um país está na frente”. “Com esta inauguração, o Brasil, inquestionavelmente, conquista a pole position do mundo das pesquisas. Realmente, é um equipamento que passa a ser uma referência para todos os cientistas do mundo. Aqui, isso significará avanços notáveis em todos os campos possíveis”, comemorou Kassab.

O Sirius compreende um grande equipamento científico, composto por três aceleradores de elétrons, que têm como função gerar um tipo especial de luz: a luz síncrotron. Essa luz de altíssimo brilho é capaz de revelar estruturas, em alta resolução, dos mais variados materiais orgânicos e inorgânicos, como proteínas, vírus, rochas, plantas, ligas metálicas e outros.

Esta primeira etapa abrange a conclusão das obras civis e a entrega do prédio que abriga toda a infraestrutura de pesquisa, além da conclusão da montagem de dois dos três aceleradores de elétrons. O terceiro acelerador – e também o principal deles – está em processo de montagem.

Construído com tecnologia 100% nacional, o Sirius “levanta a autoestima do brasileiro, em especial, da ciência brasileira”. “Ganha o Brasil. Ganha o Brasil na medicina, na agricultura e em qualquer segmento que seja ser analisado no campo da pesquisa e da ciência com esse equipamento”, ressaltou Gilberto Kassab.

Orçado em R$ 1,8 bilhão, o projeto é financiado pelo MCTIC. Até agora, cerca de R$ 1,12 bilhão foram repassados para o Sirius, sendo R$ 282 milhões em 2018.

O Sirius ficará abrigado em um prédio de 68 mil metros quadrados, equivalente a um estádio de futebol. Sua estrutura foi projetada e construída para atender padrões de estabilidade mecânica e térmica sem precedentes. No Sirius, a demanda por estabilidade e prevenção de vibrações demandou um piso constituído de uma única peça de concreto armado, de 90cm de espessura e com precisão de nivelamento de menos de 10 milímetros. A temperatura na área dos aceleradores não poderá variar mais que 0,1 grau Celsius.

“Estamos presenciando um Brasil que avança a passos largos. É um país que passa a integrar o seletíssimo grupo de países que dispõe de um acelerador de elétrons de quarta geração. É também a prova cabal de brasileiros e brasileiras que se dedicam dia e noite a colocar o Brasil na fronteira do conhecimento”, afirmou o presidente Michel Temer, durante a cerimônia em Campinas.

Nesta fase do projeto foram concluídas as obras civis e o prédio que abriga a infraestrutura de pesquisa. Dois dos três aceleradores de elétrons estão concluídos. Kassab, disse que o feixe de luz começa a circular a partir de agora em fase experimental e a pesquisa efetiva terá início no próximo ano.

A máquina propriamente dita – um acelerador de elétrons que produz a luz síncrotron – está em fase final de montagem, e deve entrar em operação no segundo semestre de 2019. Com ela, cientistas poderão fazer imagens 3D de altíssima resolução e investigar a fundo a estrutura molecular de qualquer tipo de material.

Fonte: Site do MCTIC – Imagem da primeira página: Cesar Itiberê/PR

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