Reflexões da Redação
20 DE janeiro DE 2018 - 13:58

Às favas com a reforma da Previdência

Reflexão dos editores deste portal

É obvio que gostaríamos que a reforma da Previdência fosse aprovada ainda neste ano, porém, da maneira como está sendo conduzida pelo Governo e por políticos – baseada na troca de favores, na liberação indiscriminada de emendas parlamentares e no achaque -, é melhor que seja deixada para que uma próxima gestão assuma esse trabalho, pois está custando muito cara ao país.

Completamente refém de políticos retrógrados – muitos deles inescrupulosos e preocupados consigo mesmos e com seus currais eleitorais -, Temer não conseguiu, até agora, conduzir a tão necessária e esperada reforma, frustrando grande parte da sociedade.

Os parlamentares dão as costas a empresários, economistas e especialistas, que afirmam que a reforma previdenciária é um dos principais pilares do equilíbrio permanente das contas públicas, e a não aprovação colocará em risco o ajuste fiscal e a estabilidade alcançada até agora, o que pode provocar a reversão da trajetória de crescimento do país.

Em suas manifestações, são unânimes em cobrar o comprometimento dos políticos na aprovação da reforma, como forma de levar o Brasil ao desenvolvimento sustentado. Em função dessa convicção, pedem que deixem de lado seus interesses particulares e que ajudem o país a equilibrar as contas, criar empregos e melhorar a vida dos trabalhadores e das famílias.

Fica evidente, portanto, que votar a reforma da Previdência é fundamental para a retomada dos investimentos em infraestrutura, saúde, educação, moradia e, também, em outras ações fundamentais para a volta da dignidade aos brasileiros. Aliás, até a agência de risco S&P mandou seu recado.

No entanto, parece que nossos “líderes” estão dando preferência à sustentação do status quo, representado pela velha política do toma lá, dá cá, que, certamente, levará o país à falência definitiva de suas instituições. Ou seja, se permanecer assim, outros órgãos governamentais serão envolvidos no rombo cada vez maior da Previdência.

Neste contexto, insistir na posse da deputada Cristiane Brasil no cargo de Ministra do Trabalho, em função dos votos que o partido dela (ou melhor: do pai dela) representará na votação de fevereiro, passa a ser um péssimo exemplo ético ao povo brasileiro. Conceitualmente, Temer está dando seu aval para que empresas/pessoas não cumpram a legislação trabalhista.

Retrocedendo um pouco na história, lembramos que, aqui neste espaço, nos aventuramos a sugerir algumas ações, logo após o afastamento da ex-presidente. Dizíamos que Temer teria que agir com energia desde seu primeiro minuto no Planalto, nomeando ministros comprometidos com o esforço incondicional de arrumar a casa e colocar o país nos trilhos novamente.

Destacávamos que a tarefa não seria fácil, mas que ele precisaria ser um grande negociador para atender e acomodar a fúria dos partidos por ministérios e cargos. Com ingenuidade, chegamos a dizer que o ideal seria que conseguisse escolher somente técnicos para cada pasta ou cargos de segundo e terceiro escalões e em postos chaves nas estatais.

Ingênuos, prosseguimos: precisará, também, assumir o compromisso de combater a corrupção e os desvios de dinheiro, além de retomar e fiscalizar as atividades das empresas públicas e destinar, de maneira correta e sem cunho populista, os investimentos públicos.

Fomos além: terá que tornar o governo menos arrecadacionista, dando importância devida aos empresários brasileiros e compreendendo que a indústria, o comércio e os serviços são os grandes sustentáculos da nação na geração de emprego e riqueza, trazendo – sem descanso – a volta da confiança e os investimentos produtivos.

O tempo passou e nada mudou. A realidade hoje é a mesma de sempre. E, se for para continuar assim, o melhor é que se mande às favas a reforma da Previdência. Detalhe: não estamos jogando a toalha, mas o Brasil não suporta mais ser enganado por barganhas e desmandos que alimentam a corrupção.

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