Reflexões da Redação
7 DE agosto DE 2018 - 13:13

Apesar do desalento, eleição pode trazer redenção

Reflexão dos editores deste portal

Cansados de tanta frustração, os brasileiros se esforçam para acreditar que as eleições de outubro possibilitarão o surgimento de pessoas e propostas que tirem o Brasil do buraco em que foi enfiado.

Entretanto, faltando dois meses para a realização do primeiro turno do pleito, o cenário político continua confuso, sem qualquer novidade que nos permita vislumbrar qualquer movimento de mudanças, nem mesmo na sórdida divisão entre nós e eles.

Muito pelo contrário, o que se viu e ouviu até aqui foram ideias continuístas e promessas que, pela nossa experiência, não passam do mais do mesmo. Aliás, só uma coisa é certa: a renovação no Congresso Nacional será menor do que se precisava. Ou seja, podemos entrar em 2019 esperando por um milagre, mesmo sabendo que ele não existe.

Pior para o Brasil que, em meio à crise política e econômica sem precedentes e à corrupção desenfreada, tem vivido, nos últimos anos, um processo quase que diário de destruição da esperança de se transformar num país melhor para seu povo.

Neste contexto, é importante destacar a mais recente pesquisa da CNI – Confederação Nacional da Indústria (conduzida pelo Ibope) – que destaca que uma parcela importante da população está pessimista com relação às eleições deste ano e muitos chegam até a dizer que não votariam se pudessem.

O levantamento indica que a alta insatisfação com a corrupção e o descrédito com a classe política fazem com que a parcela dos eleitores com intenção de votar em branco ou nulo e a de indecisos seja a mais alta das últimas cinco eleições.

Questionados de forma espontânea sobre o candidato que vai ganhar seu voto – sem apresentar uma lista de candidatos – 31% dos entrevistados disseram que vão votar em branco e 28% não souberam ou não quiseram responder à pergunta, o que indica indecisão. Quando apresentados a uma lista de candidatos, 59% apresentaram uma escolha, mas apenas 27% dizem que não vão mudar a opção por estarem convictos.

O fato é que existe um grande desalento diante do delicado momento da política e da economia, o que afasta a grande maioria dos cidadãos do debate. É possível afirmar que a desconfiança das pessoas é tamanha devido à ausência de soluções à vista.

Da mesma forma que os cidadãos comuns, os empresários da indústria, do comércio e dos serviços – preocupados com o processo eleitoral – anseiam por uma reviravolta no atual quadro, para que o país retorne à situação de normalidade, com a volta dos investimentos, do crédito e de políticas sérias que permitam a retomada da produtividade e da capacidade de competir.

Só assim será possível reverter o abandono de programas voltados para a recuperação da saúde, educação, moradia, transporte, segurança e mais um número infindável de condições sonegadas dos brasileiros, especialmente do indecente nível de desemprego, que nos últimos anos tem causado profundo desalento a mais de 13 milhões de trabalhadores.

Temos apenas 60 dias pela frente, mas, lembrando a máxima do copo meio vazio e meio cheio, temos que acreditar que ao final do processo eleitoral surgirão nomes que queiram verdadeiramente trabalhar pelo interesse público, comprometidos em levar o país à redenção.

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