Reflexões da Redação
22 DE agosto DE 2017 - 20:38

Anúncio de desestatização da Eletrobras agita o mercado

Pelos editores deste portal

O anúncio do Ministério de Minas e Energia de que vai propor ao Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), do Governo Federal, a redução da participação da União no capital da Eletrobras, agitou o mercado e fez as ações da empresa dispararem na Bolsa de Valores de São Paulo, atingindo um crescimento próximo de 50%.

Segundo o Ministério, a medida trará maior competitividade e agilidade à empresa para gerir suas operações, sem as amarras impostas às estatais. Esse movimento permitirá à Eletrobrás implementar os requisitos de governança corporativa exigidos no novo mercado, equiparando todos os acionistas – públicos e privados – com total transparência em sua gestão.

O processo de desestatização da Eletrobras, que deve estar concluído até o final do primeiro semestre do ano que vem, ainda não tem uma modelagem definida, mas já desperta interesse de empresas e de investidores, que fizeram que ações disparassem nas bolsas.

Para o economista Roberto Indech o mercado reagiu bem à demonstração do Governo de buscar alternativas pra que a empresa tenha uma gestão eficiente e regulamentação e que pode repercutir, também em outras estatais. Ele diz que esta é uma forma de o governo fazer caixa visto que terá muita dificuldade para efetuar corte nos gastos.

Em entrevista à Reuters, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, disse que a proposta pode gerar uma arrecadação de até 20 bilhões de reais para a União. Segundo ele, “o que está se propondo é a emissão de novas ações e, ao se fazer isso, as atuais ações serão diluídas, e a participação da União será diluída também”.

Coelho Filho citou que proposta é que sejam colocadas barreiras para impedir a concentração dessa compra nas mãos de um único investidor ou grupo. “Vamos fazer uma série de regras para a democratização desse capital e possivelmente limitando-o a uma participação máxima por empresa. Acho que, mesmo assim, não vai faltar interessado, não”, afirmou.

Segundo a nota do Ministério, não haverá espaço para elevação de tarifas nem para aumento de encargos setoriais. Não será mais possível transferir os problemas para a população. A saída está em buscar recursos no mercado de capitais atraindo novos investidores e novos sócios. O governo permanecerá como acionista, recebendo dividendos ao longo do tempo.

Para Eduardo Sattamini, CEO da Engie Brasil Energia, o modelo de venda do controle da Eletrobras deve atrair principalmente investidores financeiros, como foi o caso do Bradesco na época da privatização da Vale.

A nota do Ministério informa que a decisão foi adotada após profundo diagnóstico sobre o processo em curso de recuperação da empresa. Apesar de todo o esforço que vem sendo desenvolvido pela atual gestão, as dívidas e ônus do passado se avolumaram e exigem uma mudança de rota para não comprometer o futuro da empresa. Os problemas decorrem de ineficiências acumuladas nos últimos 15 anos, que impactaram a sociedade em cerca de um quarto de trilhão de reais, concorrendo pelo uso de recursos públicos que poderiam ser investidos em segurança, educação e saúde.

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