Entidades em Ação
26 DE junho DE 2019 - 12:30

A onda verde de 2019

Por Paulo Hartung, presidente da Ibá – Indústria Brasileira de Árvores -, associação responsável pela representação institucional da cadeia produtiva de árvores plantadas, do campo à indústria

Se nos últimos anos o debate sobre aquecimento global e emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) ganharam espaço em todo o mundo, 2019 pode ficar conhecido como o momento em que as mudanças climáticas transformaram comportamentos. Os movimentos na sociedade têm demonstrado que mudar nossa atitude com relação ao planeta é urgente, se desejamos um futuro para as próximas gerações.

Em março o exemplo veio dos jovens, que em mais de 100 países organizaram duas mil manifestações no mesmo dia. Dos EUA até a Austrália, estudantes reivindicaram pelo meio ambiente, contra o desmatamento, a favor de energias renováveis, pela limitação de emissão de CO2, entre outras pautas. Em maio aconteceu uma nova onda de reivindicações pelo clima, mais uma vez com alunos de diferentes países, inclusive, o Brasil.

Na esfera pública, a agenda climática tem sido incorporada em programas de candidatos e até mesmo decidido eleições. O Parlamento Europeu é um exemplo deste novo momento, uma vez que os chamados partidos verdes aumentaram o número de cadeiras nas eleições realizadas em maio.

Nos Estados Unidos, Joe Biden, ex-vice presidente norte-americano, que atualmente concorre à vaga de candidato pelos Democratas para a Casa Branca, mudou seu discurso. Biden deixou de lado sua reticência e incorporou um robusto plano de mitigação às mudanças climáticas ao seu programa, com uma meta ousada de zerar as emissões de GEE até 2050.

Neste mês, a ONU lançou uma carta endereçada a líderes empresariais, reforçando a necessidade da iniciativa privada também assumir compromissos para reduzir as emissões. A oficialização do documento foi realizada em um encontro com representantes do empresariado brasileiro no Rio de Janeiro.

Isto demonstra a importância do Brasil e o potencial que tem para liderar o assunto. Nossa agricultura é de alto nível e, atualmente, somos os segundo maior produtor de alimentos do mundo; somos referência no cultivo de árvores para fins industriais, que origina mais de 5.000 produtos e alia alta produtividade com respeito ao meio ambiente.

A indústria de base florestal é um modelo para outros segmentos, já que do início ao fim da cadeia a natureza é respeitada e torna-se uma aliada para a força produtiva. No Brasil, temos 7,8 milhões de hectares de árvores plantadas, comumente cultivadas em áreas antes degradadas, que estocam 1,7 bilhão de CO2 equivalente. O setor, inclusive, auxilia o País a cumprir suas metas no Acordo de Paris.

Os produtos com matéria-prima originada na madeira cultivada para este fim são essenciais, como uma fralda de bebê, que utiliza celulose em sua composição, ou uma caixa de bombom, cuja embalagem é fabricada com papelcartão, que é reciclável e biodegradável. Todo este processo contribui para o sucesso desta indústria, que em 2018 representou 4,8% das exportações nacionais, totalizando US$12,5 bilhões negociados com outros países.

Ou seja, o Brasil tem tudo para assumir o protagonismo nas discussões e ações, no momento em que o mundo clama por atitudes para mitigação das mudanças climáticas. Para isso, é preciso olhar para o tema com seriedade, sem partir para o lado ideológico. Estudantes, governantes, candidatos e organizações do mundo inteiro estão criando uma verdadeira onda verde. Nós não podemos deixar esta oportunidade passar.

Obs: publicado prioritariamente pelo jornal DCI

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