Análise Econômica, Política & Social
6 DE outubro DE 2018 - 6:50

A indústria e o próximo governo

Por João Carlos Marchesan, presidente do Conselho de Administração da Abimaq – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos

O presidente que assumir em janeiro de 2019 herdará um país que cresce de forma insuficiente e que acumula entre desempregados, pessoas que desistiram de procurar emprego e trabalhadores em tempo parcial, um contingente de quase trinta milhões de pessoas, ou seja, mais de um quarto da população economicamente ativa.

Soma-se a este quadro um Estado que gasta mais do que arrecada, o que se reflete numa dívida pública crescente, que obriga a cortar investimentos com a consequente piora da infraestrutura, já claramente insuficiente, e que corta despesas essenciais ao funcionamento dos serviços públicos que tem piorado de forma consistente.

Face a este cenário, entendemos que o futuro presidente, a par da obrigação de adotar providências para o equacionamento do déficit fiscal, deverá tomar imediatamente as medidas emergenciais necessárias para criar empregos privilegiando investimentos em obras de infraestrutura, que sejam de rápida implementação e intensivos em mão de obra.

Uma vez encaminhados, até meados do próximo ano estes dois grandes problemas, o desafio do futuro presidente será o de recuperar o crescimento sustentado, perdido desde a década de 80, de forma que este seja superior à média do crescimento mundial para reduzir de forma contínua a distância entre o Brasil e os países desenvolvidos.

Preocupa-nos que a grande maioria dos candidatos não tenha um projeto claro neste sentido e ache que, uma vez feita a reforma da previdência e uma maior abertura da economia brasileira, o crescimento irá ocorrer automaticamente, ainda que a reforma da previdência leve anos para fazer efeito e que uma abertura unilateral, sem isonomia competitiva, agrave o processo de desindustrialização.

Por isso defendemos um modelo de desenvolvimento econômico centrado na produção de bens complexos e serviços sofisticados condição indispensável para garantir o crescimento sustentado. Para tanto um ambiente macroeconômico ajustado e a contínua redução do ‘Custo Brasil’ até sua eliminação num arco de dois mandatos é essencial para a competitividade de bens e serviços brasileiros.

Precisamos que os ‘spreads’ bancários sejam reduzidos ao nível de países assemelhados e aumentar o crédito para produção e exportação a juros compatíveis com o retorno das empresas. É necessário reduzir o custo de capital para investimentos produtivos e fazer uma reforma tributária que simplifique a gestão dos impostos e elimine os impostos não recuperáveis que aumentam nossos custos.

O câmbio deverá estar em um patamar competitivo e com baixa volatilidade. Precisamos de maior segurança jurídica, de uma revisão das alíquotas de importação que ao mesmo tempo reduzindo a alíquota média brasileira ao nível médio dos países em desenvolvimento restabeleça a escalada tributária para garantir maior competitividade à produção nacional.

Todos esses temas são muito importantes para o desenvolvimento do país. Entretanto, sem um ambiente macroeconômico favorável ao investimento produtivo e sem a redução consistente e progressiva do ‘Custo Brasil’, é grande o risco das políticas industriais simplesmente não funcionarem como ocorreu, aliás, nas últimas três décadas.

Fonte: site da Abimaq

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