Reflexões da Redação
30 DE abril DE 2018 - 17:30

A difícil arte de governar

Reflexão dos editores deste portal

Com a aproximação das eleições, crescem os debates sobre os nomes de pré-candidatos que estão se apresentando aos borbotões à cadeira de presidente da República.

Pelas contas feitas até aqui já passam de dez, o que faz aumentar as possibilidades de escolha, porém, ao mesmo tempo, em nossa avaliação, pode se transformar em um complicador para a grande maioria dos eleitores.

Independente de quem efetivamente participará do pleito marcado para outubro, sejam aqueles mais conhecidos ou os que surgirem como alternativa à velha maneira de governar, uma coisa é certa: o eleito terá que estar respaldado por um forte apoio no novo Congresso Nacional, que também advirá das eleições deste ano.

Como diz o consultor político Gaudêncio Torquato, o escolhido terá muitas dificuldades para romper o cordão político produzido com os fios do fisiologismo de deputados e senadores – muitos deles candidatos à reeleição.

Segundo sua análise, o mandatário-mor do país só arruma condições para governar caso ceda nacos da estrutura administrativa aos partidos e seus caciques. Ele afirma que, sem o troca-troca que amarra o elo entre Executivo e o Legislativo os governantes enfrentarão obstáculos, não sendo improvável que a faca de um impeachment apareça em determinado instante para interromper seu mandato.

Torquato reforça: sem maioria nas duas casas, qualquer governo tende a fracassar, simplesmente porque as políticas públicas embutidas em projetos de lei não passarão pelo crivo parlamentar.

Diante disso, podemos perceber que se evidencia uma dura conclusão para a eleição deste ano: qualquer um que for eleito sem maioria para presidir o país viverá o inferno de não conseguir realizar seus projetos de governo, visto que, diante do número de concorrentes, os parlamentares eleitos no primeiro turno provavelmente não serão do mesmo partido do presidente escolhido no segundo turno.

Portanto, os dois que seguirem para o segundo escrutínio terão que fazer composição com os deputados e senadores já eleitos, que, certamente, não concordam com boa parte de seus objetivos.

É neste momento que surge a velha máxima da arcaica política: é dando que se recebe. É desta forma que surge a corrupção, o maior cancro da nação e que destrói toda uma sociedade que se vê privada da oferta de serviços básicos de saúde, escola, transporte, moradia, assistência social e, o mais importante, de emprego.

Fica claro, assim, que, ou se promove uma reforma política profunda, que acabe com todas as mazelas, ou jamais se conseguirá realizar outras reformas fundamentais, muito menos políticas públicas que propiciem a inovação e o desenvolvimento das indústrias e o crescimento sustentado do país.

Como sugestão, poderiam começar a reforma cortando na carne, limitando a somente uma reeleição o mandato legislativo. Outra medida seria a diminuição de partidos, pois é humanamente impossível governar sob a pressão de 35 (ou mais) partidos, muitos deles com rachaduras dentro de suas próprias células.

Também seria interessante que, desde já, qualquer um dos pré-candidatos à presidência deixasse claro aos eleitores que os cargos de ministro e membros de instâncias menores, além de ocupantes das estatais, serão ocupados por técnicos, mesmo que indicados parlamentares.

Parece pedir demais, mas sem medidas radicais o Brasil continuará sendo um país difícil de ser governado.

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