Reflexões da Redação
13 DE maio DE 2019 - 22:38

A continuar o bate-boca, o Brasil não sai do lugar

Reflexão dos editores deste portal

À época em que o atual governo completava 100 dias de mandato, publicamos neste espaço uma reflexão que sugeria que o novo presidente da República, seus familiares, ministros e secretários das equipes de formulação das propostas decretassem um período de silêncio, evitando informações desencontradas que só servem para confundir a opinião pública e o mercado.

Entretanto, as ‘cabeçadas’ continuam e, a cada dia que passa, ficam piores, com manifestações que se sucedem, especialmente nesta fase de discussões sobre a importante reforma previdenciária. A todo momento surgem declarações que provocam agitações desnecessárias, muitas vezes prejudicando o andamento dos debates, que só são arrefecidas com a chegada de um desmentido ou uma mudança de ideia.

Foi assim, por exemplo, com o anúncio intempestivo do presidente sobre o aumento do IOF – Imposto Sobre Operações Financeiras -, sobre a redução da tarifa do Imposto de Renda e sobre as idades mínimas para a aposentadoria de mulheres e homens, todas elas contornadas pelo solerte Onix.

Entre tantas outras, a mais nova patetada veio do ministro da Educação que, ao tratar do corte de 35% nos recursos destinados às universidade e institutos federais, usou como base 100 bombons e concluiu que a perda seria de apenas “três chocolatinhos e meio”. Que conta foi essa?

Para evitar constrangimentos como esse, uma solução que pode funcionar é a divulgação de informações, única e exclusivamente após um amplo debate e consenso entre os especialistas e ministros, para que não haja necessidade de sair correndo – como ocorreu – para desfazer o ‘ato falho’.

Neste contexto, é urgente e necessário que cessem as discussões e os embates paralelos envolvendo filhos, gurus, ministros e alguns políticos, estes últimos que, como sempre, querem ver o circo pegar fogo. Chega de Carlos, Eduardo, Flávio, Olavo, Damares, Ernesto, Abraham e tantos outros que só servem para tumultuar o processo de arrumação do Brasil.

Em verdade, queremos com isso que o governo concentre suas forças num programa de renovação e revitalização do país, muito além das reformas prioritárias – Previdência e Tributária -, mas, se continuar o bate-boca, o Brasil não sairá do lugar.

Como disse o cientista político Rodrigo Augusto Prando, professor da Universidade Mackenzie, o Presidente precisa dar um basta nas pautas e ações ideológicas e focar na administração do Estado, de forma pragmática, democrática e republicana e, com isso, ganhar liderança e capital político, que foi dilapidado nestes meses iniciais de governo.

Ele destacou que a conjugação de pautas mais ideológicas, como, por exemplo, mudança de embaixada de Tel Aviv para Jerusalém; promoção de facilidades para posse e porte de armas; corte de verbas para as universidades; retrocessos no Meio Ambiente, entre muitas outras, denotam que não há uma racionalidade que implique na correta projeção das consequências daquilo que é dito ou arquitetado.

Como já dissemos aqui, não é segredo para ninguém que muita coisa precisa ser consertada, especialmente após dezoito anos de ações populistas e suspeitas que produziram retrocessos políticos e econômicos à nação.

Entretanto, se o governo prosseguir com atitudes impensadas, que às vezes se aproximam do amadorismo político, o país continuará na mesma velha toada, sem perspectivas de retomar o tão necessário crescimento.

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